Professor: amigo, parceiro ou pai?
Vocação para transmitir conhecimentos não surge do nada: é formada por experiências, valores e pelo desejo de contribuir para a vida de outras pessoas
A arte de ensinar acompanha a humanidade desde seus primeiros passos. A vocação para transmitir conhecimentos não surge do nada: é formada por experiências, valores e pelo desejo de contribuir para a vida de outras pessoas. Para compreendermos melhor essa arte, podemos voltar ao Renascimento, quando educadores humanistas passaram a valorizar o pensamento crítico, o potencial humano e o estudo da Antiguidade greco-romana. Os studia humanitatis ampliaram os horizontes da educação, em contraste com alguns métodos tradicionais da escolástica medieval.
Vamos deixar, porém, esse breve passeio pela história e voltar ao presente, marcado pela tecnologia, pela internet e pela comunicação globalizada. Em meio a tantas transformações, onde se encaixam os nossos professores?
Para responder, começo pela minha própria história. Venho de uma família de professores, e meus pais foram meus primeiros mestres. Sem castigos ou ameaças, ensinaram aos filhos respeito, disciplina, responsabilidade e dedicação. Em família, aprendemos a trocar experiências e buscar aquilo que a cultura japonesa chama de kaizen: a melhoria contínua. Foi assim que compreendi que ser professor é também ser amigo, parceiro e, algumas vezes, agir como um pai.
Nos dias de hoje, computadores e celulares parecem ter respostas para tudo. Nunca tivemos tanto acesso à informação, mas será que isso significa aprender melhor? Na verdade, o professor continua essencial justamente porque ajuda a transformar informação em compreensão e conhecimento em atitudes. Além disso, ao recordar minha infância, percebo o quanto mudou nossa relação com os professores. Naquela época, nós os víamos como verdadeiros heróis e ficávamos de pé quando entravam na sala de aula, em sinal de respeito. Os costumes mudaram, mas a importância de quem ensina permanece. Isso porque ensinar exige paciência, sabedoria e capacidade de conquistar a confiança dos alunos. Muitos detêm o conhecimento, mas poucos sabem transmiti-lo. Para mim, ensinar pode ser uma dádiva de Deus, mas é também uma habilidade a ser desenvolvida, assim como a liderança e a inteligência emocional.
Como professor de Educação Física, dedico grande parte da vida às artes marciais, onde procuro colocar esses princípios em prática. No tatame, ensino não apenas técnicas, mas também respeito, disciplina e dedicação, valores que ajudam os alunos a enfrentar desafios e orientar suas escolhas muito além do esporte. Mas, afinal, como definir o que é ser professor? É reconhecer o potencial de cada aluno, mesmo quando ele ainda não o enxerga, e ajudá-lo a acreditar em si mesmo. É despertar a curiosidade, ensinar resiliência e compreender que cada pessoa aprende de maneira diferente. É, sobretudo, reconhecer que ensinar também é aprender, pois a educação transforma tanto o aluno quanto o professor. Na construção do conhecimento, os livros são os tijolos e o professor é o pedreiro que ajuda cada aluno a erguer seus próprios alicerces. Como dizia Jigoro Kano, fundador do judô, “Nada sob o sol é maior do que a educação”.
Neste Dia dos Professores, deixo meus parabéns a todos que dedicam a vida à educação. Acredito que o futuro da humanidade depende dos valores que ensinamos e dos exemplos que oferecemos, guiados pelo amor e pelos ensinamentos de Deus.
Um grande abraço aos meus queridos professores: os da família, da escola, dos tatames e dos encontros que a vida me proporcionou. Com eles, aprendi a importância de ser um bom amigo, parceiro e pai.
E assim, quem sabe, poderei chegar a ser, um dia, um bom professor.
Diógenes Moraes Junior
Professor de Educação Física e Mestre de Judô