Do Rio ao Mar: um caminho de paz
Muitos dos que se dizem apoiadores da causa palestina — ou seria apenas do Hamas e do intento genocida que esta organização representa? — repetiram à exaustão um slogan: "Palestina livre: do rio ao mar"
Por Jáder Tachlitsky*
07 de outubro, uma data fatídica. Passados três anos da maior tragédia enfrentada pelo povo judeu desde o Holocausto e diante do sofrimento dos habitantes de Gaza, na esteira do conflito desencadeado, temos muito a refletir.
Muitos dos que se dizem apoiadores da causa palestina — ou seria apenas do Hamas e do intento genocida que esta organização representa? — repetiram à exaustão um slogan: “Palestina livre: do rio ao mar”.
Será que todos os que bradaram essa palavra de ordem, em passeatas ocorridas nos mais diversos rincões do mundo, compreendiam perfeitamente o que estavam defendendo?
O slogan refere-se à porção de terra compreendida entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo. Trata-se da região que inclui o Estado de Israel e os territórios da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, os dois últimos a base de um futuro Estado árabe-palestino.
Dizer “Palestina Livre” em toda a extensão da área citada significa a extinção do Estado de Israel, país membro da comunidade internacional e Estado-nação do povo judeu.
Ora, defender a criação do assim designado “Estado palestino” é um pleito justo que, para ser alcançado, pressupõe alguns postulados básicos.
Um deles, essencial, é o reconhecimento pleno, pelas lideranças palestinas, do igual direito à existência do Estado judeu.
A ausência desse reconhecimento é, na visão aqui defendida, uma das causas fundamentais de mais de um século de conflitos, que remontam ao período anterior à independência de Israel, em 1948, e que persistem até os dias atuais.
Há os que se fiam em narrativas e estreitamentos ideológicos que embotam o raciocínio lógico e entravam os caminhos racionais para a resolução dos conflitos.
E há aqueles que sinceramente acreditam na possibilidade de uma solução justa e negociada que leve à consecução de algo que se busca há tanto tempo: a existência de dois Estados para dois povos, baseada no mútuo reconhecimento e na definição de fronteiras justas, acordadas entre as partes e reconhecidas pela comunidade internacional.
Para este segundo grupo, ofereço este lema: “Do Rio ao Mar, um caminho de paz.”
Para tal, é necessário trilhar os seguintes passos:
- Um documento assinado pelos dois lados, reconhecendo que os dois movimentos nacionais são legítimos e necessitam ser contemplados em suas aspirações.
- O reconhecimento de que o Estado de Israel é uma realidade e de que seu direito à existência não pode ser questionado; que sua criação é fruto do direito do povo judeu, como o de todos os povos, à autodeterminação nacional.
- O reconhecimento de que o povo árabe residente na Palestina histórica, denominado povo palestino, possui vínculos históricos com a região e direito à sua autodeterminação nacional.
- O reconhecimento de que, sob nenhuma justificativa, o terrorismo pode ser utilizado como ferramenta política para a consecução desse objetivo; que grupos armados sejam desarmados e não possam permanecer como entrave a qualquer avanço.
- Que as fronteiras definitivas dos dois Estados sejam baseadas em critérios objetivos e que concessões que envolvam trocas territoriais possam ser uma das ferramentas para atingir essa meta.
- Que Jerusalém, capital histórica e política do Estado de Israel, também represente uma cidade com profundos vínculos com as culturas judaica, árabe, islâmica e cristã, e que sejam buscados caminhos políticos para que essa realidade seja contemplada.
- Que os países árabes e islâmicos reconheçam plenamente o Estado de Israel e estabeleçam com ele plenas relações diplomáticas.
- Que os livros didáticos e materiais pedagógicos de Israel e do futuro Estado palestino contemplem uma mensagem de paz e convivência e não fomentem o ódio e a discriminação.
- Que a legislação dos dois países determine a abertura de intercâmbio nas mais diferentes esferas: cultural, educacional, social e econômica.
- Que seja combatida qualquer iniciativa de qualquer outro país que vise desestabilizar esses acordos por meio do fomento ao ódio ou do financiamento de grupos terroristas que ameacem esse processo.
“Israel e Palestina livres, do Rio ao Mar”, nas mentes e nos corações das pessoas de bem!
Jáder Tachlitsky é economista, professor de Cultura Judaica e História Judaica; coordenador de comunicação da Federação Israelita de Pernambuco*