O protagonismo dos pequenos negócios
Em Pernambuco, hoje, são mais de 651 mil pequenos negócios formais ativos e regulares, que representam 93,9% das empresas do estado e formam a espinha dorsal da nossa economia
Por Murilo Guerra*
Celebrar o Dia Nacional da Micro e Pequena Empresa, em 5 de outubro, é reconhecer a coragem de milhões de brasileiros que decidiram empreender e que, com essa decisão, geram trabalho, renda e transformam os territórios onde vivem. Em Pernambuco, hoje, são mais de 651 mil pequenos negócios formais ativos e regulares, que representam 93,9% das empresas do estado e formam a espinha dorsal da nossa economia.
São microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte espalhados por todo o território, presentes nas mais diversas atividades econômicas. Somente neste ano, mais de 122 mil pequenos negócios foram abertos em Pernambuco. Até julho, eles também geraram um saldo positivo de mais de 24 mil vagas de trabalho, enquanto as médias e grandes empresas apresentaram saldo negativo.
Essa realidade não foi construída por acaso. Ao longo das últimas décadas, o Brasil avançou ao reconhecer a necessidade de um tratamento diferenciado para os pequenos negócios. A Lei Geral da Micro e Pequena Empresa e a criação do microempreendedor individual – o MEI – foram marcos nesse processo, ao proporcionar condições para que milhões de brasileiros pudessem empreender dentro da legalidade e com mais dignidade.
Ainda há, contudo, desafios importantes pela frente; um dos maiores é ampliar a formalização. Em Pernambuco, apenas 24,7% dos donos de negócios atuam formalmente, uma realidade que limita o acesso de muitos empreendedores a oportunidades e se reflete, inclusive, na renda. No último trimestre de 2025, enquanto os donos de negócios formais registravam rendimento médio habitual superior a R$ 6,1 mil no estado, entre os informais esse valor era de R$ 1,6 mil.
Essa diferença mostra que a formalização não é apenas uma questão burocrática. Além de aumentar a renda, ela abre portas para novos mercados, facilita o acesso ao crédito, amplia a proteção e cria condições para o crescimento sustentável. Estimular a entrada e a permanência desses empreendedores na economia formal deve, por isso, continuar sendo uma prioridade das políticas de desenvolvimento, sobretudo porque a formalização não transforma apenas a realidade de quem empreende: seus efeitos se espalham por toda a economia.
Um estudo recente sobre a atuação do Sebrae/PE mostra o alcance desse movimento. Somente em 2025, por exemplo, as 2,9 mil formalizações realizadas com nosso apoio contribuíram com cerca de R$ 351 milhões ao PIB do Estado e com a criação de mais de 10 mil postos de trabalho. Em resumo: quando um pequeno negócio sai da informalidade, ganha condições para prosperar e movimenta uma cadeia que alcança trabalhadores, fornecedores, consumidores e os próprios territórios.
Por isso, neste 5 de outubro, é preciso reconhecer os pequenos negócios pelo que eles efetivamente são: um dos principais pilares da economia do nosso Estado. Mas essa celebração também nos convida a olhar para o que ainda está por vir. No Sebrae/PE, seguiremos nesse caminho, comprometidos com a ampliação da formalização, a simplificação do ambiente de negócios e a criação de condições cada vez mais favoráveis para que os empreendedores continuem a crescer e a contribuir com o desenvolvimento de Pernambuco.
Murilo Guerra é superintendente do Sebrae/PE*