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Portugal além das fronteiras: a força das conexões globais

A dimensão de um país também se mede pelas relações que consegue construir além de suas fronteiras

Por Ivo Tinô do Amaral Junior e Rafaella Lobo*

Bandeira de Portugal

A dimensão de um país também se mede pelas relações que consegue construir além de suas fronteiras. Portugal é um exemplo dessa capacidade. Sua presença internacional, formada por gerações de emigrantes e descendentes, reúne conhecimento, experiência empresarial e vínculos de confiança que podem aproximar mercados e gerar oportunidades.


A diáspora portuguesa preserva a língua, os costumes e o sentimento de pertencimento. Mas sua contribuição alcança também a economia: empresários, profissionais, pesquisadores e dirigentes associativos conhecem as realidades dos países onde vivem e mantêm ligações com Portugal. Essa dupla inserção facilita parcerias, investimentos e intercâmbios.


É nessa perspectiva que se insere o Portugal Nação Global, iniciativa promovida pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, sob a liderança de Emídio Sousa. O fórum realizado em Lisboa, há alguns meses, colocou em evidência o potencial das comunidades portuguesas para contribuir com a internacionalização das empresas e o desenvolvimento do país. Valorizar essa rede significa criar condições para que identidade e relacionamento produzam resultados.


Essa aproximação depende de instituições capazes de dar continuidade aos contatos. A Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), as câmaras de comércio e as representações diplomáticas e consulares possuem papéis complementares na construção de uma agenda de cooperação.


Em Pernambuco, merece destaque a representação consular portuguesa no Recife, anteriormente conduzida por Francisco Duarte, que trabalhou para o retorno do status de Consulado-Geral, atualmente sob a direção de Jorge Fonseca, que assumiu bem recentemente o posto consular. Sua importância alcança o atendimento à comunidade e a aproximação com instituições locais, criando condições favoráveis ao fortalecimento dos vínculos culturais, acadêmicos e empresariais.


Ao lado dessa atuação, o Conselho das Comunidades Portuguesas constitui uma importante ponte entre os portugueses residentes no exterior e o Estado português. Como órgão consultivo do Governo, contribui para que as necessidades, propostas e expectativas da comunidade sejam consideradas nas políticas públicas. No círculo de Recife e Salvador, essa representação é exercida por Célia Stamford, fortalecendo o diálogo com Portugal e a participação da comunidade nas decisões que lhe dizem respeito.


Nosso Estado reúne uma presença portuguesa expressiva e instituições que mantêm essa ligação viva. A Câmara Portuguesa de Comércio de Pernambuco, em articulação com as entidades da Aliança Luso-Pernambucana, pode contribuir para transformar esse patrimônio de relações em uma agenda permanente de cooperação.


Há espaço para aproximar empresas, promover intercâmbios universitários, estimular projetos culturais e conectar iniciativas de inovação. Para avançar, precisamos identificar interesses comuns, organizar encontros com objetivos definidos e acompanhar as parcerias depois do primeiro contato.


Portugal além das fronteiras é uma realidade construída por pessoas e instituições. Pernambuco tem história, relações e capacidade para participar desse movimento. O próximo passo é fazer dessas conexões uma fonte de oportunidades para os dois lados do Atlântico.


*Ivo Tinô do Amaral Junior — Advogado e presidente da Câmara Portuguesa de Comércio de Pernambuco e Rafaella Lobo — Sócia do Urbano Vitalino Advogados em Portugal