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A importância do voto consciente

A democracia não conhece cadeira vazia; quando você abdica de escolher, outros decidem por você

Por Joel de Hollanda

Eleitor registra seu voto no teclado numérico de urna eletrônica durante as eleições

Por Joel de Hollanda*

Vê-se fazendo campanha pelas ruas de São Paulo um cidadão chamado Manoel Gomes.

Não sabe quem é?

É o autor de “Caneta Azul”, música que viralizou no país.

Sim, amigos. Caneta Azul é candidato a deputado federal por São Paulo.

Apresso-me a esclarecer: não sou contra sua candidatura. Nem contra a de qualquer cidadão que, preenchendo os requisitos legais, queira disputar uma eleição.

É um direito.

O que me preocupa é outra coisa.

É o eleitor que escolhe por gozação. Por deboche. Por raiva. Ou simplesmente porque entrou para o grupo do “tanto faz”.

Tanto faz votar neste ou naquele. Para ele, é tudo igual.

Da mesma forma, preocupa-me quem pensa em não votar, anular o voto ou simplesmente ignorar as eleições que se aproximam.

Por uma razão muito simples:

a omissão também produz consequências.

Quem deixa de escolher não interrompe a eleição. Apenas entrega aos outros uma decisão que também poderia ser sua.

A democracia não conhece cadeira vazia.

Quando alguém se levanta dela, outro ocupa o lugar.

E eleição passa.

O mandato fica.

Com ele, ficam as consequências.

São os eleitos que votarão as leis. Decidirão prioridades. Discutirão impostos. Influenciarão os rumos da economia. Determinarão onde e como será aplicado o dinheiro público.

Dinheiro que não nasce nos cofres do governo.

Nasce no trabalho.

No comércio que abre as portas. Na fábrica que produz. No agricultor que planta. No profissional que presta seu serviço. No salário de quem trabalha e entrega grande parte do seu esforço ao Estado.

Por isso, votar não é apenas apertar algumas teclas diante de uma urna.

É escolher quem receberá a chave do cofre.

E a responsabilidade de administrar esperanças.

Esperança de uma escola melhor.

De um hospital que funcione.

De uma rua segura.

De emprego para os jovens.

De dignidade para os idosos.

De futuro para nossos filhos e netos.

Voto não é brincadeira.

Não é passatempo.

Não é favor.

Muito menos mercadoria.

É responsabilidade.

É direito conquistado.

É uma das mais poderosas ferramentas que a democracia colocou nas mãos do cidadão.

Por isso, não basta votar.

É preciso saber em quem se está votando.

Conhecer a história do candidato. Sua vida pública. Suas propostas. Seus compromissos. E observar a distância entre aquilo que promete diante das câmeras e aquilo que praticou longe delas.

O guia eleitoral pode produzir imagens.

O marketing pode fabricar personagens.

As redes sociais podem construir heróis de uma noite.

Mas nenhuma propaganda consegue apagar para sempre uma biografia.

É preciso pesquisar.

Comparar.

Perguntar.

Duvidar.

Porque o voto consciente começa muito antes da urna.

Começa quando o cidadão decide não terceirizar sua consciência.

Votar em branco ou anular é um direito. Esses votos não são transferidos para qualquer candidato nem entram no cálculo dos votos válidos.

Mas a eleição continua.

Outros escolherão.

Outros decidirão.

Por isso, antes de reclamar dos que governam, é preciso cuidar daqueles que ajudamos a colocar no governo.

Antes de condenar o Congresso, é preciso lembrar quem enviamos para ocupá-lo.

Antes de perguntar o que fizeram com o nosso país, talvez devamos também perguntar:

O que fizemos com o nosso voto?

A democracia não termina na urna.

Mas passa por ela.

Silenciosamente.

Sem tiros.

Sem armas.

Apenas com a consciência de cada cidadão e o toque de um dedo.

Por isso, nas próximas eleições:

Pense.

Pesquise.

Compare.

Escolha.

E vote consciente.

Porque o voto dura poucos segundos.

Mas suas consequências podem atravessar gerações.


Joel de Hollanda é economista*