Do convite à missão histórica: minha jornada de opinião no Diario
O Diario de Pernambuco não é apenas um jornal, mas uma instituição que ajudou a moldar a identidade e a história do Brasil
Recentemente, ao completar um quarto de século dedicado à advocacia, curvei-me à inevitável reflexão sobre o verdadeiro papel do advogado na engrenagem social.
Concluí, com a convicção que o tempo e os cabelos brancos nos outorgam, que o autêntico profissional do Direito não pode se enclausurar no formalismo dos autos processuais ou no silêncio dos gabinetes. A justiça se pleiteia nos tribunais, mas a cidadania e a consciência social se constroem no debate público, de peito aberto e ideias claras.
Foi movido por essa inquietação que, há pouco mais de dois anos, aceitei o honroso convite feito diretamente pelo estimado colega de profissão, o advogado Carlos Frederico Vital, proprietário e presidente do Diario de Pernambuco.
Receber de Carlos Vital a missão de assumir uma colaboração regular nas páginas de opinião do jornal mais antigo em circulação na América Latina não foi apenas um privilégio intelectual; foi uma convocação à responsabilidade histórica. Afinal, integrar este corpo de articulistas significa carregar o peso de dois séculos de jornalismo e a memória viva da nossa gente.
Ao longo dos anos, o Diario de Pernambuco defendeu a liberdade de expressão e a democracia, mesmo em tempos de censura e repressão. Seu compromisso com a verdade e a imparcialidade jornalística continua a ser um exemplo de ética no jornalismo.
O Diario de Pernambuco não é apenas um jornal, mas uma instituição que ajudou a moldar a identidade e a história do Brasil. Sua longevidade e relevância refletem sua capacidade de evoluir e se adaptar, mantendo-se fiel ao compromisso de informar e educar a sociedade.
O Diario de Pernambuco é um verdadeiro tesouro nacional e ali está um pedaço de meu coração, como é citado no livro de São Mateus “Pois, onde estiver o seu tesouro, ali também estará o seu coração".
Dividir com os leitores pernambucanos minhas análises sobre a dignidade das profissões jurídicas, os desafios da transformação digital, a busca incessante pela paz social e a valorização da nossa classe tem sido uma extensão da minha própria vocação.
Descobri que as laudas de um artigo de opinião exigem o mesmo rigor lógico, a mesma polidez firme e a mesmíssima paixão que dedico às minhas peças e defesas jurídicas. A diferença fundamental é que, na imprensa, o veredito pertence à sociedade.
Ocupar esse espaço de opinião no Diario é, acima de tudo, um ato de respeito ao cidadão. Em tempos de desinformação galopante e debates fragmentados pela urgência das telas, o espaço impresso e digital de um grande jornal resiste como um farol de lucidez.
Escrever aqui tem me permitido humanizar o Direito, despindo-o da "linguagem dos doutores" para torná-lo um instrumento acessível de engrandecimento social.
Agradeço à direção do jornal, na figura de Carlos Vital, pela confiança contínua, e, sobretudo, aos leitores pelo diálogo sempre respeitoso, mesmo nas inevitáveis divergências.
Seguirei erguendo a voz — e a caneta — por acreditar que a advocacia e a liberdade de expressão são irmãs siamesas, indispensáveis para a manutenção do nosso Estado Democrático de Direito. Afinal, a história de Pernambuco continua sendo escrita todos os dias, e é uma honra indizível poder redigir alguns de seus parágrafos.
Deixo um pequeno trecho do cordelista Nildo Barbosa em homenagem ao Diario de Pernambuco:
Caminhos do Diario de Pernambuco
“Lá no centro do Recife, Uma praça conta Histórias
É a praça do Diario, Palco de tantas vitórias
Marcando assim um período, Carregado de memórias.
Cada página se registra, Um ato, um fato ou ação
E as notícias se espalhavam, Por todo este mundão
Umas tristes outras alegres, Chamando sempre a atenção.”
Sérgio Ricardo Araújo Rodrigues. Advogado e Professor Universitário.