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Céline Dion: o emocionante reencontro com os palcos

O reencontro com o público, neste último sábado (12), foi marcado pela emoção e pela reafirmação de uma promessa que a artista havia feito aos fãs: voltar a cantar.

Por Chico Carlos

Cantora canadense Celine Dion durante performance em Paris, neste último sábado (12)

Seis anos de espera, incertezas e uma batalha contra uma doença neurológica rara. No último sábado (12 de setembro de 2026), a cantora franco-canadense Céline Dion voltou a realizar um show completo, em Nanterre, na região de Paris. O reencontro com o público foi marcado pela emoção e pela reafirmação de uma promessa que a artista havia feito aos fãs: voltar a cantar.

Aos primeiros acordes de “On ne change pas”, Céline não conteve as lágrimas. Interrompeu brevemente a apresentação para agradecer ao público e declarou: “Eu prometi que voltaria”. A frase, simples e carregada de significado, resumiu a trajetória de uma das vozes mais conhecidas da música internacional.

O espetáculo durou quase duas horas e meia e reuniu 25 músicas, contemplando diferentes momentos de sua carreira. O repertório incluiu sucessos em francês e inglês, como “Because You Loved Me”, “The Power of Love”, “My Heart Will Go On”, “It’s All Coming Back to Me Now”, “All by Myself” e “Pour que tu m’aimes encore”, além de medleys e canções menos frequentes em suas apresentações.

Céline Dion estava afastada dos grandes concertos desde 2020, em razão dos problemas provocados pela síndrome da pessoa rígida, condição neurológica rara que pode causar rigidez e espasmos musculares. O diagnóstico foi confirmado no final de 2022, e a doença passou a interferir diretamente em sua rotina e em sua atividade profissional.

Em entrevistas, sua irmã relatou que a cantora chegou a perder o controle dos músculos durante crises. O período de afastamento foi acompanhado por especulações sobre seu futuro artístico. A possibilidade de nunca mais cantar em público chegou a ser levantada por veículos de comunicação.

Em 2024, o documentário “I Am: Celine Dion”, lançado em 25 de junho, revelou ao público a dimensão de sua luta. A produção mostrou a artista enfrentando crises, tratamentos e limitações físicas, sem esconder a vulnerabilidade de quem precisava lidar com uma doença que atingia justamente o instrumento central de sua carreira: o próprio corpo.

O filme também revelou uma mulher profundamente ligada à música, determinada a preservar sua relação com os palcos e com os milhões de admiradores que acompanharam sua trajetória.

Antes do retorno em Paris, sua aparição pública mais marcante havia acontecido na abertura dos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024.

A volta de Céline Dion pode ser compreendida como uma expressão de resiliência. Não se trata apenas de retomar uma carreira interrompida, mas de reencontrar uma atividade que sempre esteve no centro de sua identidade artística.

O psicólogo e especialista em comportamento e neuropsicologia Cleber Mendes chama a atenção para a tendência de muitas pessoas de esperar que todas as condições estejam perfeitas antes de retomar seus projetos.

“Na psicologia, denominamos esse comportamento de evitação experiencial: a tendência de esperar pelas condições ideais para agir. O problema é que tais condições são, muitas vezes, inalcançáveis. Quem aguarda o cenário perfeito para viver acaba por não viver enquanto espera”, explica.

Para o especialista, a trajetória da cantora ajuda a refletir sobre a possibilidade de recomeçar mesmo diante de limitações.

“Céline Dion não esperou estar curada; ela foi com o que podia oferecer naquele momento. E foi exatamente essa vulnerabilidade que emocionou milhares de pessoas. Não foi a perfeição que cativou o público, mas a coragem de se fazer presente, apesar das circunstâncias”, pontua.

A observação, entretanto, não significa que pessoas com doenças devam ignorar seus limites ou abandonar tratamentos. Cada processo de recuperação é único, e o retorno de Céline representa uma decisão pessoal construída em meio a desafios e cuidados de saúde.

Ao longo dos anos, Céline Dion expressou em diferentes momentos a dificuldade de sua jornada. Em uma de suas declarações, resumiu a experiência com palavras que ganharam novo significado diante do retorno aos palcos. “Tenho que admitir, porém, que o caminho foi árduo. A jornada foi mais longa do que o esperado, com paradas não planejadas ao longo do percurso. Mas eu perseverei. Um tênue raio de luz à distância, no meio das montanhas. Eu acreditei. E aqui está. O sol — o sol está aqui. O sol, bem na minha frente”.

No palco de Nanterre, esse sol pareceu encontrar milhões de corações. A cantora voltou a cantar, mas também reencontrou uma parte essencial de sua própria história.

A luta contra a doença não terminou. As limitações continuam fazendo parte de sua realidade. Ainda assim, o retorno representa um momento de profunda conexão entre artista, música e público. Tudo em seu tempo.

Céline Dion não voltou apenas para interpretar canções. Voltou para reafirmar a força de sua arte, a importância de seus fãs e o desejo de continuar vivendo a música. Dignidade, coragem e resistência,

Que esse sol continue brilhando em corações e mentes.

Precisamos de você, Céline!