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Portugal Nação Global: quando identidade se transforma em oportunidade

Brasil e Portugal mantêm relações econômicas relevantes e crescente circulação de empresários, profissionais, investimentos e conhecimento nos dois sentidos do Atlântico

Por Diario de Pernambuco

Tribunal Constitucional (TC) de Portugal anula trechos da Lei da Nacionalidade,

Por Ivo Tinô do Amaral Júnior*

Durante séculos, a presença portuguesa no mundo foi construída por movimentos migratórios que formaram comunidades nos mais diferentes continentes. Essa diáspora preservou cultura, identidade e vínculos com o país de origem. No século XXI, porém, Portugal começa a enxergar nessa presença global algo além da memória: uma poderosa rede de conexões econômicas, institucionais e empresariais.

Essa transformação esteve no centro do Portugal Nação Global, iniciativa realizada recentemente em Portugal e concebida para aproximar empresários da diáspora, empresas portuguesas em processo de internacionalização, câmaras de comércio, instituições públicas e investidores. O encontro reuniu cerca de 180 empresários da diáspora provenientes de mais de 40 países, aproximadamente 150 empresários nacionais, cerca de 50 câmaras de comércio e mais de 20 entidades supramunicipais.

Os números ajudam a compreender a dimensão dessa rede. Milhões de portugueses e lusodescendentes vivem fora do país, enquanto Portugal tornou-se também destino de novas comunidades internacionais. Entre elas, a brasileira ocupa posição de destaque: em 2024, mais de 480 mil brasileiros possuíam residência regular no país, constituindo a maior comunidade estrangeira em território português.

Ao mesmo tempo, Brasil e Portugal mantêm relações econômicas relevantes e crescente circulação de empresários, profissionais, investimentos e conhecimento nos dois sentidos do Atlântico. Nesse cenário, a diáspora deixa de ser vista apenas sob uma dimensão afetiva e passa a representar também um ativo econômico, capaz de conectar mercados, compartilhar experiências e gerar oportunidades de negócios.

Instituições como a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), o Banco Português de Fomento e as câmaras portuguesas de comércio espalhadas pelo mundo assumem, portanto, papel relevante. Mais do que representar interesses, ajudam a aproximar empresas, investidores e mercados, transformando relações institucionais em oportunidades concretas de internacionalização.

Há uma estratégia interessante por trás desse movimento. Portugal é um país de dimensão territorial relativamente pequena, mas possui uma presença humana, cultural e empresarial que ultrapassa amplamente suas fronteiras. Transformar essa dispersão geográfica em uma rede de influência econômica é uma forma inteligente de ampliar sua projeção internacional.

Para o Brasil — e particularmente para Pernambuco — essa dinâmica oferece oportunidades importantes. Nossa ligação com Portugal não precisa permanecer restrita à história, à cultura ou aos movimentos migratórios. Pode avançar para novos projetos empresariais, intercâmbio acadêmico, inovação, investimentos e cooperação institucional.

Para as empresas brasileiras, Portugal também não deve ser compreendido apenas como destino de instalação ou porta de entrada geográfica para a Europa. O país pode funcionar como uma plataforma de relacionamento, segurança jurídica e conexão com outros mercados.

A economia contemporânea é cada vez menos determinada apenas pelas fronteiras e cada vez mais pelas redes que conseguimos construir. O Portugal Nação Global traduz bem essa transformação. A história portuguesa sempre foi marcada pela capacidade de atravessar o Atlântico e estabelecer novas conexões. O desafio agora é utilizar essas mesmas pontes para fazer circular conhecimento, investimentos e oportunidades.

Talvez esteja aí uma das expressões mais contemporâneas da presença portuguesa no mundo: transformar identidade em conexão, pertencimento em oportunidade e uma história construída além das fronteiras em estratégia para o futuro.

*Ivo Tinô do Amaral Júnior é advogado e presidente da Câmara Portuguesa de Comércio em Pernambuco