Nossa competitividade
A economia do Nordeste tem apresentado, ao longo das últimas décadas, um desempenho relativamente superior ao da região Sudeste em termos de crescimento
A economia do Nordeste brasileiro tem apresentado, ao longo das últimas décadas, um desempenho relativamente superior ao da região Sudeste em termos de crescimento. Em 1995, a proporção do PIB per capita nordestino correspondia a apenas 30,4% do valor encontrado no Sudeste. Esse dado revelava uma disparidade histórica significativa entre as duas regiões. No entanto, em 2023, segundo informações do IBGE, esse percentual havia se elevado para 40,5%. Esse avanço, embora ainda insuficiente para eliminar as desigualdades regionais, demonstra uma trajetória de convergência que merece destaque. Entre os fatores que contribuíram para esse resultado, as políticas sociais desempenharam papel fundamental. Programas de transferência de renda e de inclusão social estimularam a demanda interna, e boa parte do valor agregado dos bens e serviços consumidos pelos beneficiários é gerada no comércio e nos serviços locais, fortalecendo a economia regional.
Nos últimos cinco anos, contudo, esse processo de convergência tem mostrado sinais de esgotamento. A redução do ritmo de crescimento relativo sugere que o modelo baseado em políticas sociais pode estar se esgotando como principal motor da diminuição das disparidades regionais. Se analisarmos o Brasil como um todo, o maior patamar da participação do PIB nordestino em relação ao nacional ocorreu em 2017, quando atingiu 14,5%. Desde então, essa participação caiu para 13,8%, indicando uma perda de fôlego no processo de queda das desigualdades regionais.
Paralelamente, observa-se uma tendência de queda das exportações nordestinas em relação às nacionais. Em 1997, a região respondia por 12,2% das exportações brasileiras. Já em 2025, essa proporção havia caído para 8,6%. Pernambuco, especificamente, apresentou oscilações. Entre 1997 e 2013 houve queda, seguida de uma recuperação até 2018, mas novamente uma retração até 2025, quando retornou a patamar semelhante ao de 1997. Esses números absolutos revelam uma fragilidade estrutural. Enquanto a participação do Nordeste no PIB brasileiro gira em torno de 13,8%, sua fatia nas exportações é de apenas 8,6%. Embora não seja um indicador rigoroso de competitividade, essa discrepância sugere que a região enfrenta dificuldades para competir em mercados externos. No caso de Pernambuco, a situação é ainda mais preocupante: o PIB estadual representa cerca de 2,5% do nacional, mas suas exportações ficam em torno de apenas 0,66%.
Esses dados devem servir de alerta, especialmente em momentos de eleição, quando deveria se discutir projetos de desenvolvimento de longo prazo. A perda de competitividade e a baixa produtividade relativa da economia pernambucana exigem respostas concretas. É necessário investir em infraestrutura viária, ampliar a capacidade logística e fortalecer o papel estratégico do Porto de Suape como polo de atração de novos empreendimentos. Além disso, a expansão ferroviária precisa ser acelerada para reduzir custos de transporte e aumentar a integração com outras regiões. Outro ponto crucial é a educação: elevar a qualidade da formação profissional e direcioná-la para arranjos produtivos locais com maior potencial competitivo é indispensável. Somente com uma combinação de políticas estruturais, investimentos em inovação e fortalecimento da base produtiva será possível transformar o crescimento em desenvolvimento sustentável e reduzir, de fato, as desigualdades regionais.