A educação estadual em Pernambuco
A divulgação dos resultados oficiais do IDEB e do SAEB trouxe novamente ao centro dos debates sociais a qualidade da educação pública
Recentemente, a divulgação dos resultados oficiais do IDEB e do SAEB trouxe novamente ao centro dos debates sociais a qualidade da educação pública oferecida pela rede estadual em Pernambuco. Para uma compreensão precisa, é fundamental distinguir a natureza técnica desses indicadores. Enquanto o IDEB incorpora a taxa de aprovação em sua composição, o que gera pressões sobre o corpo docente para a aprovação indiscriminada de alunos, distorcendo a realidade do aprendizado, o SAEB se consolida como uma métrica mais robusta, baseando-se estritamente em provas objetivas de conhecimento técnico. No cenário do ensino médio atual, a proficiência nas disciplinas de Matemática e Português atua como o principal balizador da qualidade acadêmica.
Ao confrontar os dados consolidados de 2023 com os registros de 2015, torna-se plenamente viável mensurar as transformações estruturais ocorridas na rede estadual ao longo desse período. Paralelamente, ao examinarmos o recorte entre 2023 e as estimativas para 2025, conseguimos obter uma perspectiva inicial sobre o desempenho recente. Para contextualizar rigorosamente esses resultados e evitar análises isoladas, é essencial estabelecer um comparativo técnico com o desempenho médio de outras regiões estratégicas, utilizando o Nordeste e o Sudeste como principais referências de eficiência e desenvolvimento educacional.
Ao analisarmos o período mais longo, compreendido entre 2015 e 2023, verificamos que a evolução do desempenho em Matemática dos estudantes pernambucanos nas escolas estaduais regulares foi, de forma consistente, superior à média verificada no Nordeste e também no Sudeste. Sob a ótica da análise comparativa, observa-se que o período compreendido entre 2015 e 2023 apresentou um ritmo de melhoria mais acelerado do que o verificado na comparação entre 2023 e 2025. Esses resultados são obtidos mesmo quando se considera as diferenças de anos incluídos nos períodos comparados. O cenário em Português, todavia, apresenta nuances distintas. Nossos alunos registraram uma piora relativa frente aos resultados do Nordeste. Essa piora foi mais crítica no último biênio analisado do que no período anterior mais longo. No comparativo direto com o Sudeste, o período 2015 a 2023 logrou obter avanços relativos, enquanto o último biênio registrou retrocessos no desempenho acadêmico dos jovens estudantes.
Em termos absolutos, os dados indicam que no último biênio a evolução dos estudantes em Matemática superou o desempenho no período mais longo, enquanto em Português os indicadores evoluíram de forma inversa. No período mais longo, as escolas estaduais demonstraram avanços em relação às instituições privadas em Português, embora tenham declinado em Matemática. Por outro lado, no último biênio, o desempenho das escolas públicas retrocedeu frente às privadas em ambas as disciplinas, evidenciando desafios persistentes e complexos na busca contínua por equidade, qualidade e excelência na formação educacional básica no nosso estado. Ou seja, o ensino médio em nosso estado precisa ter foco maior e melhorar sua qualidade para evitar ficar para trás.