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O Suplemento Literário do Diario de Pernambuco

"Na história da imprensa brasileira, o Suplemento Literário do Diario de Pernambuco ocupa um espaço de destaque, de pioneirismo nacional. [...] A imprensa recifense foi pioneira na publicação de suplementos literários no Brasil na primeira metade do século XX (Tércio de Lima Amaral / UFPE).

Por Marcus Prado

Diario de Pernambuco volta a ser impresso na próxima segunda (1º)

O texto acerca da terceira e última fase do Suplemento Literário do Diario de Pernambuco (1961-1998) — de minha autoria, originalmente redigido para o "Livro do Nordeste II”, obra comemorativa do bicentenário do periódico, organizada por André Heráclio do Rego e Múcio Aguiar com o selo da AIP — é publicado agora, devido às restrições de espaço gráfico na edição original. Me excedi na memória. Nesse período, o suplemento esteve sob a editoria do poeta e escritor César Leal, docente de Teoria Literária da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), convidado pelo superintendente Antônio Camelo e mantido por seus sucessores. Sob a sua condução, o caderno literário inaugurou em Pernambuco uma nova quadra de modernidade, amalgamando passado e futuro em um presente contínuo.

Não constitui novidade o fato de que grandes veículos internacionais negligenciam a poesia em seus espaços críticos. Ainda hoje, o “New York Times Book Review” — suplemento do principal jornal norte-americano e uma das publicações de crítica literária mais influentes do mundo — não demonstra interesse na divulgação de análises poéticas. De igual modo, o periódico francês “Le Monde”, historicamente ufano de abrigar um dos melhores suplementos literários da Europa, é capaz de transcorrer semestres inteiros sem publicar uma única resenha de poesia. A prestigiosa Cambridge University Press, em toda a sua trajetória iniciada em 1534, não tem poesia como prioridade em seu catálogo editorial. A respeito, revela-se pungente a constatação formulada por Jacques Roubaud, renomado articulista do “Le Monde” e escritor francês: “A poesia não se vende e, portanto, não tem mais importância”. (...). Evidentemente, tal gênero literário não figura como o único a perder espaço mercadológico no panorama cultural contemporâneo.” Essa tendência estende-se a publicações como a “European Review of Books”, revista impressa e online dedicada à cultura e às ideias, cuja edição de 2025 igualmente absteve-se de publicar qualquer resenha de poesia. Em contraponto a essa praxe editorial internacional, a trajetória do Diario de Pernambuco, por intermédio de seu Suplemento Literário, nas suas duas últimas fases, orientou-se em direção oposta.

Sob a coordenação de César Leal, ao longo de mais de duas décadas, manteve-se plural e receptivo, destacando-se pela preeminência conferida à categoria poética. Aberto tanto a estreantes quanto a autores consagrados, o suplemento transformou-se em um polo germinador de vocações culturais, catalisando o surgimento da Geração 65 na literatura pernambucana. Nas páginas do suplemento, César Leal, em sua dupla condição de poeta e teórico literário com trânsito pela Literatura Comparada, publicou os seus ensaios críticos e poemas antes de sua consagração em formato de livro. A sua fortuna crítica abriga expoentes da crítica literária de língua portuguesa, a começar pelo poeta e escritor Cassiano Ricardo. Por fim, para o desenvolvimento de pesquisas sobre a última fase do SL do DP recomenda-se a leitura dos escritos do professor, poeta e ensaísta José Rodrigues Paiva (UFPE), com destaque para os seus Diários — publicados em múltiplos volumes — e para a obra “Geração 65”.

*Jornalista