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Chico Science tem razão: um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar

Administração não faz mágica!

Por Moisés Benigno da Silva

Administração não faz mágica

Administração não faz mágica! Gestão exige planejamento, organização, direção e, por fim, controle. Como popularmente se diz: “insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes”. Nesse mundo tão competitivo, dinâmico e globalizado, o sucesso do passado já não se replica no presente.


A relação entre a gestão estratégica e a gestão da rotina assemelha-se ao ato de dirigir um automóvel no trânsito caótico da cidade do Recife/PE. Dirigir exige a habilidade de manter o olhar no para-brisa e, eventualmente, voltar a atenção ao retrovisor. Mudar exige sincronia, cadência, clareza de objetivos e estratégia. Para a obtenção de resultados satisfatórios, insere-se nesse contexto um pilar fundamental: a gestão de mudanças.


O psiquiatra austríaco Viktor Frankl (1905–1997), precursor da Logoterapia, nos deixou, a partir de sua sobrevivência ao Holocausto, um valiosíssimo aprendizado: “quando não somos mais capazes de mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos”. Hoje, esse aprendizado pode ser traduzido em uma palavra potente: resiliência.


Mas como nós, gestores, podemos tornar uma organização resiliente? Seria focando no essencial? Administrando a pressão provocada pelas constantes transformações das relações de trabalho e mercado? Ou desenvolvendo a capacidade de adaptação antes que as mudanças se imponham de forma irreversível?


Em leitura recente do periódico especializado em Administração (RBA), o professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (RS), Bruno Bittencourt, elencou três fatores capazes de impactar significativamente o futuro das organizações.


O primeiro é o conceito de data-driven, no qual a gestão passa a estar cada vez mais alicerçada em uma cultura organizacional orientada por dados. Nesse cenário, o processo decisório tende a se tornar mais assertivo e menos dependente da intuição ou mesmo da “boa” ou “má sorte”. O segundo elemento refere-se às chamadas “organizações ecossistêmicas”. Trata-se de um modelo de negócio estruturado para atuar de forma colaborativa e integrada. A relação entre colaborador e empresa torna-se indissociável e complementar. O professor ressalta que isso é possível quando a visão e a missão institucionais estão alinhadas ao propósito de vida daqueles que integram a organização, acreditam em seu potencial e contribuem significativamente para sua longevidade.


Por fim, mas não menos importante, destaca-se a necessidade de fomentar equipes multidisciplinares. É justamente na diversidade de competências, experiências e perspectivas que se fortalece a capacidade de inovação, adaptação e superação dos desafios dos dias atuais. É nesse contexto que observo que o gestor deve não apenas demonstrar confiança em sua equipe, mas exercer uma liderança verdadeiramente inspiradora e presente. Não se trata apenas de palavras de incentivo, mas da capacidade de ser exemplo no cotidiano. O reconhecimento deve ser de dentro para fora da organização.


Assim como no trânsito intenso do Recife, organizações que insistem em olhar apenas pelo retrovisor correm o risco de perder o rumo, a velocidade e a capacidade de reagir. Em tempos de constantes mudanças e de imprevisibilidade, gerir deixou de ser apenas manter a direção e passou a exigir a habilidade de antecipar curvas, interpretar cenários e seguir em constante movimento.

Moisés Benigno da Silva
Professor da UniFafire, Conselheiro do Conselho Regional de Administração de PE (CRA-PE)