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Declarar apoio a Lula pode respingar na base aliada

Qualquer posicionamento de Raquel Lyra pode acarretar reflexos dentro do próprio conjunto. Ainda nesta terça-feira (06), a federação União Progressista anunciou apoio ao presidenciável do PL. O presidente trabalha pelo "Luquel"

Por Renata Bezerra de Melo

Governadora de Pernambuco Raquel Lyra (PSD).

No day after da campanha pelo Governo do Estado, um aliado próximo à governadora Raquel Lyra sublinha: “Só digo uma coisa: ´Ela fez de tudo para ele não vir!´”. À coluna, a fonte faz referência à agenda que o presidente Lula cumpriu, no Recife, ao lado do ex-prefeito João Campos, a despeito dos argumentos oferecidos pela gestora do PSD em defesa da neutralidade.

Na base aliada de Lula, há auxiliares admitindo, nas coxias, o seguinte: “Se ele não tivesse vindo para a campanha de João, ela podia declarar apoio”. A colocação oriunda do lado da gestora parece vir a calhar com o que pondera um interlocutor do presidente da República. Como pano de fundo, está o próprio desenho do 1º turno em Pernambuco, que teria deixado essa aproximação para o 2º turno presidencial mais difícil.

Em prol do líder-mor do PT, há quem argumente que, com o palanque desmontado, Raquel não teria mais satisfação a dar aos aliados de Flávio Bolsonaro e poderia fazer o gesto. A equação, no entanto, passa pela composição política que a levou à reeleição em Pernambuco. Em outras palavras, integrantes de sua base já se movimentam na direção de Flávio Bolsonaro.

Nesse contexto, qualquer posicionamento de Raquel pode acarretar reflexos dentro do próprio conjunto. Ainda nesta terça-feira (06), a federação União Progressista anunciou apoio ao presidenciável do PL. A movimentação envolveu integrantes do União Brasil e do PP, inclusive pernambucanos. Os deputados federais Lula da Fonte e Fernando Filho, além do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, figuram entre os integrantes da federação e também da base de Raquel.

Além deles, o deputado federal Mendonça Filho, que sempre realça ser “Raquel Lyra Futebol Clube”, também é aliado de primeira hora de Flávio. Um eventual governo Flávio Bolsonaro também entra no cálculo político de integrantes da base de Raquel. Ou seja, 2027 está no horizonte e eventual protagonismo de lideranças pernambucanas no plano federal, caso o senador do PL seja eleito, está no radar.

Leia-se: Raquel não está sozinha nessa decisão. Parte relevante de seu grupo está vinculado à União Progressista. Declarar apoio a Lula pode acarretar uma tensão política dentro de um grupo que ela precisa preservar. Nesta terça-feira, a própria Raquel voltou a dar indicação de que não deve declarar apoio. Em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, afirmou: “O presidente tem palanque em Pernambuco”. E o dela, segundo a própria destacou no dia da eleição, já foi desmontado.


Embarque para Brasília

Desde a última segunda, um zum-zum-zum já se dava entre parlamentares do Estado sobre a declaração de apoio que a União Progressista faria, em Brasília, nesta terça-feira (06), ao senador Flávio Bolsonaro. Se, de um lado, Lula escalou o ministro Alexandre da Silveira, do PSD, para tentar um apoio de Raquel Lyra, do outro, se enumera movimentos de Flávio na direção de nomes como Antonio Rueda, ACM Neto, Gilson Machado e Mendonça Filho. O candidato a vice, Alfredo Gaspar, se tem boa relação com Mendonça, também nutre amizade com outros deputados da bancada pernambucana.

Luquel

Não é exatamente que Raquel Lyra dê palanque a ele em Pernambuco o que o presidente Lula espera. Mas, pelo menos, que ela direcione os prefeitos de sua base de apoio a votarem nele. Nas palavras de membros da base do petista, se aguarda que "ela não atrapalhe e liberes os prefeitos". Não se deixa claro o formato, mas seria uma espécie de composição que passaria pelo que foi possível entre a governadora e o senador reeleito Humberto Costa e indo além: reproduzindo o chamado "Luquel" com os gestores.

Entre palanques

Ao ser questionada sobre a possibilidade de apoiar Lula, no Estúdio i, da GloboNews, a fala da governadora Raquel Lyra incluiu o seguinte: “Portanto, tenho a minha gratidão, mas manterei a minha coerência de buscar unir Pernambuco e trabalhar pelo nosso povo". Questionada se isso significava que não daria palanque a Lula no segundo turno, ela respondeu: “O presidente tem palanque em Pernambuco. [...] O meu lado é o lado do povo pernambucano e é nisso que me focarei nesse momento, garantindo o trabalho e a entrega como a população espera de mim”.

Leitura

Quem convive de perto ousa fazer uma aposta de que: se não vai declarar voto em Lula, formalizar apoio na direção contrária também não tende a ser opção. “Raquel é por natureza totalmente progressista, é só ver o histórico dela, totalmente à esquerda. Isso já me diz que ela não vai apoiar Flávio Bolsonaro”, assinala um aliado à coluna sobre a leitura que faz das entrelinhas.

Renovação

Deputada federal eleita e mais votada do PT em Pernambuco, Rosa Amorim embarca para Brasília, nesta quarta-feira (7), para se integrar às articulações do partido rumo ao segundo turno. Às 9h, haverá reunião conjunta das bancadas do PT da Câmara e do Senado. Às 15h, participa de reunião com o presidente Lula e jovens eleitos pelo PT, entre eles Ana Elisa (PT-MG) e Pedro Rousseff (PT-MG). Mudanças na comunicação da campanha, com maior presença nas redes e diálogo mais direto com o eleitorado jovem vão à pauta.