Ala da direita vê Raquel Lyra levando votos do PL "de graça"
Nos bastidores, aliados de Mendonça Filho reagem após a coligação encabeçada pela governadora ingressar no TRE-PE contra ele e dizem que ela "só quer o bônus"
Nos bastidores da campanha da governadora Raquel Lyra, se repisa que avisos foram emitidos previamente ao candidato ao Senado, Mendonça Filho; e que não foi de supetão que a Coligação Pernambuco de Coração acionou o TRE-PE contra o postulante à Casa Alta. Na referida representação, consta acusação de uso indevido da imagem de Raquel Lyra na propaganda eleitoral dele.
No entorno da governadora, se registra que coube a um aliado muito próximo a ela telefonar para Mendonça, sinalizando o que, uma semana depois, acabou vindo a constar em peça protocolada, na última segunda (07), na Justiça Eleitoral.
Argumenta a ação que Mendonça Filho estaria “se valendo” de “associação sistemática da imagem dele à figura da Governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra, em termos que transmitem ao eleitor a mensagem inequívoca de que ambos integram um mesmo projeto político, uma mesma chapa e um mesmo compromisso de governo”.
No campo dos que apoiam Mendonça, se deu uma reação, nos bastidores, ao movimento da coligação encabeçada pela governadora. “Ela está ganhando de graça os votos do PL”, assinala, em reserva, uma fonte da direita à coluna.
A mesma fonte realça que Raquel, inclusive, “perdeu o tempo de guia eleitoral do partido”, criticando o fato de ela ter preferido não coligar com o PL. O partido do presidenciável Flávio Bolsonaro tem o segundo maior tempo de televisão entre as legendas, ficando atrás apenas da Federação União Progressista.
A reação no campo no qual Mendonça milita alcança a formação da chapa majoritária do ex-prefeito do Recife e principal adversário de Raquel na disputa. “João Campos botou no colo dela de graça, 1,5 milhão de votos”, registra um aliado de Mendonça.
No segundo turno em Pernambuco, em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro teve 1.798.832 de votos, enquanto Lula terminou o pleito votado por 3.640.933 de eleitores.
Por essa mesma conta, outra fonte do mesmo campo calcula que Raquel Lyra “vai brigar por três milhões de votos. O cálculo leva em conta ainda a estratégia de João Campos de montar a chapa mais à esquerda, diferente das composições anteriores do PSB, que buscavam mais equilíbrio.
Um integrante do PL, que prefere não se identificar, classifica a estratégia de Mendonça Filho de colar na imagem da governadora “como correta”, realçando que ele “sempre a defendeu”. E volta a mira para Raquel: “Ela só quer o bônus”.
Dito isso
Na representação protocolada no TRE-PE, a Coligação Pernambuco de Coração aponta que a ”associação construída pela propaganda torna-se ainda mais grave porque contraria frontalmente manifestação pública e anterior da própria Raquel Lyra”. O texto da peça sublinha que em "declaração amplamente repercutida pela imprensa pernambucana", em agosto deste ano, "a Governadora e candidata à reeleição foi categórica ao afirmar que Mendonça Filho “não é o nosso candidato a senador da República”.
Atropelo
A movimentação do ministro Flávio Dino de reverter o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, não foi bem vista pelo Palácio Planalto, que já havia reagido à decisão do ministro André Mendonça via AGU.
Entalado
Também não foi digerida ainda pelo Palácio do Planalto a declaração do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, de que a Polícia Federal estaria se vingando por ele não ter atendido pedido da corporação para contestar iniciativas de André Mendonça no inquérito que investiga fraudes no INSS. “Muito ruim”, observam aliados de Lula nas coxias.
Senado em pauta
Os candidatos ao Senado de Pernambuco se enfrentam, nesta quinta-feira (10), em debate promovido pela Rádio Cultura do Nordeste, em parceria com o Diario de Pernambuco e a TV Nova Nordeste. Será no Centro de Convenções do Senac Caruaru, no Agreste, às 20h55. A transmissão poderá ser acompanhada também pelos canais do Diario de Pernambuco. Confirmaram presença: Eduardo da Fonte (PP), Humberto Costa (PT), Marília Arraes (PDT), Mendonça Filho (PL), Paulo Rubem Santiago (Rede) e Túlio Gadêlha (PSD).