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Lula liga para saber sobre o "gabinete do ódio"

O presidente telefonou para aliados pernambucanos, querendo entender a ação que João moveu contra Raquel e os desdobramentos

Por Renata Bezerra de Melo

Os movimentos na Justiça em Pernambuco entraram no radar do presidente Lula

Era tarde de ontem, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurou aliados, em Pernambuco, para tirar temperatura sobre os últimos episódios referentes ao suposto “gabinete do ódio”, que motivou João Campos a mover ação na Justiça Eleitoral contra a governadora Raquel Lyra.

O líder-mor do PT chegou a tentar um contato inicial com uma liderança pernambucana que estava em voo, impossibilitada de atender. Então, acabou recorrendo, com sucesso, mais uma vez por telefone, a outro integrante da Frente Popular.

Queria se situar e entender o contexto de como a disputa no Estado descambou para o Judiciário. Foi informado sobre os fatos, um passo a passo da situação. Nesta sexta-feira (28), um dia depois de o jurídico da coligação liderada por João Campos anunciar o ajuizamento de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), entre outras medidas a serem adotadas junto a outros órgãos, foi a vez da governadora recorrer a 16ª Vara Criminal da Capital.

Ela protocolou uma interpelação judicial criminal, com fundamento no art. 144 do Código Penal. O objetivo é pedir explicação pública ao socialista sobre declarações dadas por ele, em vídeo, na última terça (26).

Com a medida, a governadora requer que João Campos identifique, de forma precisa, a quem se referiu e em que fatos se baseou ao proferir declarações públicas atribuindo, a “quem senta na cadeira para governar Pernambuco”, a coordenação de uma suposta “milícia digital” a partir do Palácio do Governo.

Não se trata ainda de queixa-crime nem de pedido de condenação. Também ontem, se dava um movimento no sentido de se definir data para uma agenda de Lula no Estado. Houve sinalização dirigida ao conjunto de João Campos nessa direção.

Lideranças petistas já vinham comentando internamente, na campanha, que as vaias dirigidas ao chefe do Planalto durante a convenção da governadora haviam alterado a leitura do cenário pernambucano.

Em outras palavras, a aposta eventual dele num palanque duplo teria perdido força a partir do fato. O novo capítulo que, agora, se dá no TRE-PE passa a ser outra variável nessa equação.

De João para Dudu

Conhecido como o guru do ex-governador Eduardo Campos, o marqueteiro argentino Diego Brandy, outrora tido como indispensável às campanhas do PSB, hoje, comanda o marketing de Eduardo da Fonte, que concorre ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra. O marqueteiro à frente da estratégia de João Campos, este ano, é, mais uma vez, Rafael Marroquim, coordenador de comunicação digital da campanha vitoriosa de João Campos à reeleição para a Prefeitura do Recife em 2024.

Cronômetro

Houve quem cronometrasse o tempo que a governadora Raquel Lyra se manteve em silêncio na estreia de seu guia eleitoral. O vídeo teve início com ela de cabeça baixa numa atmosfera de emoção com olhos marejados e isso levou, dizem os atentos, 23 segundos. “Gastou o tempo do PSBD”, sapeca, à coluna, um observador bem-humorado em referência ao fato de Raquel Lyra ter conseguido recuperar a federação PSDB/Cidadania para sua coligação.

Antemão

A gravação do guia eleitoral de João Campos teve início ainda em maio. Ele tinha três cartas na manga para estreia ontem. Escolheu o que foi exibido. O programa exalta Pernambuco em sua diversidade, cita Miguel Arraes, Ariano Suassuna, Eduardo Campos, mostra o que fez e um combo das principais propostas. Diz que o povo do Estado "não aceita sentar no banco de trás" e "tem pressa de voltar a liderar", sintonizado com o discurso que o socialista vem adotando de que a gestão Raquel Lyra não brigou por novas indústrias ou empreendimentos.

De cara

Na Frente Popular, ninguém deixou Lula para depois. João Campos, Humberto Costa e Marília Arraes colaram logo suas imagens ao presidente. A pedetista investiu no mote do pertencimento, ancorando o filme em um texto que buscou costurar Pernambuco do sertão ao cais, mirando a ideia de abraçar o Estado como um todo. "Pernambuco não é grande só pelo tamanho. É grande porque nenhum pedacinho dele desiste", assinala um trecho do enredo.