Paulo aciona jurídico e pode pedir resposta
O ex-governador de Pernambuco está disposto a defender seu legado, caso identifique dados inverídicos atribuídos a sua gestão
O ex-governador Paulo Câmara sempre teve seu perfil mais técnico realçado pelos próprios aliados. Desde que assumiu a presidência do Banco do Nordeste, tem evitado se imiscuir em discussão política, mas, em meio ao processo eleitoral vigente, está disposto a solicitar direito de resposta, se preciso for, para defender o legado de seu governo.
O presidente do BNB não está alheio ao debate que vem se desenrolando em torno da disputa pelo Palácio das Princesas e, internamente, já sinalizou que acionará seu corpo jurídico, solicitando direito de resposta sempre que se referirem à sua gestão utilizando informações inverídicas.
Tomada a decisão, Paulo Câmara providenciou um levantamento incluindo um retrato do quadro de quando recebeu o governo de João Lyra Neto e de como entregou a administração estadual à sucessora, Raquel Lyra. O movimento é motivado por abordagens que vêm sendo feitas pela governadora e candidata à reeleição relativas a várias áreas do governo num comparativo com o antecessor.
A interlocutores, Paulo Câmara tem realçado que deixou a administração estadual na Capag B, indicador da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), que atesta saúde fiscal e equilíbrio financeiro, tornando o Estado apto a fazer operações de crédito.
Na esteira, tem contabilizado o fato de o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) e a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) terem aprovado as contas dos oito anos de governo, atestando que ele finalizou o mandato com superávit de mais de R$ 4, 25 bilhões.
Além das contas públicas, há um sentimento latente de que, no setor de Segurança, há uma tentativa da gestora do PSD de apagar ações realizadas nos anos anteriores. Na coleta de dados, consta, por exemplo, que ele inaugurou, em novembro de 2017, o Batalhão Integrado Especializado de Policiamento (Biesp) em Caruaru, enquanto Raquel Lyra era prefeita da cidade, além do 2º Biesp em Petrolina, em 2018. O levantamento abrange as demais áreas, passando por Saúde e Educação.
Carta na manga
O senador Humberto Costa, munido de estudos desenvolvidos pela Sudene, pretende apresentar, ao presidente Lula, uma alternativa capaz de destravar o ramal pernambucano da Ferrovia Transnordestina. A ideia inclui o seguinte: “A Petrobras poderia ser sócia do empreendimento. Poderia montar uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) com a Infra, que é a empresa vinculada ao Ministério dos Transportes. A Petrobras entra com recurso, o Governo Federal entra com recurso, o Estado de Pernambuco pode entrar com recurso nisso aí. E a Petrobras tem toda razão para entrar e ela, se for botar o dinheiro, é muito pouco”.
Neutro, mas nem tanto
Indagado se vê o centrão, que tem se declarado neutro, na prática, apoiando Lula, o senador Humberto Costa, à coluna, define: “Eu diria que está mais do que esteve em outros momentos. Inclusive, na eleição de (Jair) Bolsonaro. É uma neutralidade que pode ajudar”.
Adesivo crachá
Tem equipe de candidato anotando novo critério de acesso ao comitê: adesivar o carro. Houve funcionário que, barrado na porta, ao ser comunicado do motivo, devolveu: “Tudo bem, então eu paro lá fora!”. Além de trabalhar, relatam integrantes de algumas campanhas, "é preciso provar fidelidade no estacionamento".