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Em 2022, Lula veio. Victor traça diferença

Presença do petista não garantiu vitória a Danilo. Prefeito, agora, vê "cristalização do campo" e palanque adversário "bolsonarista"

Por Renata Bezerra de Melo

Para o prefeito do Recife, Victor Marques, cenários são diferentes, sobretudo pela composição do palanque da governadora Raquel Lyra

Era julho de 2022 quando Lula, então candidato ao Palácio do Planalto, subiu ao palco de ato político, em Garanhuns, já segurando a mão de Danilo Cabral, que concorria ao Palácio do Campo das Princesas pelo PSB. O líder-mor do PT defendeu o socialista como seu candidato a governador. Cumpriu agenda ainda em Serra Talhada, protagonizou outra no Teatro do Parque e almoçou na casa de Danilo.

A despeito das expectativas depositadas, a declaração de voto e a presença de Lula, naquela ocasião, não foram suficientes para garantir a vitória do PSB. Este ano, o ex-prefeito do Recife João Campos tem repisado a estratégia de apostar as fichas na aliança com o presidente e, embora ainda não haja data prevista para uma vinda de Lula ao Estado, ele tem sinalizado que o aliado virá.

O que garante que a presença de Lula, agora, possa ser mais efetiva do que foi ao lado de Danilo? Aliado de primeira hora de João, o prefeito do Recife, Victor Marques, à coluna, argumenta o seguinte: “O que eu vejo é que existe uma cristalização de campo político. Isso é bem diferente do que apenas a presença, a vinda do presidente Lula”.

Victor traduz: “Se você olhar para o palanque da governadora, é um palanque majoritariamente bolsonarista, conservador. O palanque de João, não. Então, existe uma cristalização de campo político, o que diferencia esta eleição de outras”.

Indagado sobre quais nomes da chapa adversária associa ao bolsonarismo, ele cita a candidata a vice, Priscila Krause, e prossegue: “Mendonça é do palanque dela (de Raquel Lyra), apesar de estar candidato a senador em outro partido”. A governadora recentemente declarou que Mendonça não é seu candidato. Ele explica: “Alguém que foi aliado todo tempo, é por isso que eu digo da cristalização de quem está com quem”.

Então, detalha: “É muito nítido a presença de Mendonça durante esse processo inteiro, além de outros personagens bolsonaristas, que estão próximos e que estão participando da campanha dela. O Novo está apoiando a candidatura dela formalmente, Eduardo Moura, Clarissa Tércio...Isso é inegável”, assinala o prefeito, sinalizando o tom que deve permear a campanha do PSB, indo de encontro à estratégia da governadora de apostar num palanque duplo de Lula no Estado.

Lá e Lô

Na mesma linha de João Campos, Victor Marques acredita que a presença de Lula “fortalece essa identificação”. Pondera que não quer ficar entrando em debate sobre o palanque da adversária. “O que eu estou falando é que o futuro de Pernambuco passa por uma grande oportunidade que a gente pode ter, de João governador e Lula presidente. Pernambuco tem uma potência muito grande. A gente viu Pernambuco ficando pra trás, nos últimos anos, de outros estados, como Bahia, Ceará até Paraíba, que cresceram muito mais do que Pernambuco”, destaca.

Alinhados

Ainda ontem, o presidente Lula apareceu, em vídeo na rede social, pedindo voto para João Campos e para a chapa completa, mas ainda destacou a importância do alinhamento político entre os governos federal, estadual e a bancada no Senado. Argumentou que é importante para ampliar a capacidade do Governo Federal de realizar investimentos em Pernambuco.

Subiu no palanque

Aliados do candidato ao Senado Mendonça Filho já vinham analisando que, se Raquel Lyra não o colocou oficialmente em seu palanque, o deputado, na prática, “subiu no palanque dela” ao adotar o discurso de “Raquel Lyra Futebol Clube”. Nem precisou de muito tempo para que isso se consumasse literalmente. No último domingo (16), primeiro dia de campanha, Mendonça e Raquel dividiram o mesmo palco em ato promovido pela família Coelho em Petrolina.

Casadinhas

Com a coluna cantara a pedra, o prefeito de Ipojuca, Carlos Santana, declarou, nesta segunda-feira (17), apoio à candidatura de Eduardo da Fonte ao Senado. Aliados anotavam que as conversas finais ocorreram no final da semana passada. O gestor é do Republicanos, partido do candidato a vice de João Campos, Carlos Costa. O progressista também recebeu apoio do presidente da Alepe, Álvaro Porto, que apoia João Campos, mas rompeu com Marília Arraes.