° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Avançam as obras e Caruaru terá aeroporto para atrair aviação comercial nacional

As obras visam adequar o aeroporto aos padrões exigidos pelos órgãos reguladores, como a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Por Igor Pires

Aeroporto Oscar Laranjeira, em Caruaru

O Aeroporto Oscar Laranjeira em Caruaru passa por obras de investimento que o posicionarão entre os aeroportos de maiores capacidades do interior do Norte-Nordeste, bem diferente do que é hoje.

O Governo de Pernambuco celebrou, em 2026, contratos totais de R$ 138 milhões para contratação de estudos técnicos e obras de ampliação do aeroporto no Agreste do estado. O prazo para execução das intervenções é de 300 dias, o que permitiria a conclusão do aparelho até meados de 2027.

Esses valores são relevantes e são da ordem do custo para construir um aeroporto robusto como o de Jericoacoara (Cruz-CE), no Ceará, que possui capacidade para operar aeronaves de fuselagem larga. Em 2017, custou nominalmente R$ 90 milhões, algo como R$ 135 milhões nos dias de hoje, valores próximos aos usados em Caruaru.

As obras visam adequar o aeroporto aos padrões exigidos pelos órgãos reguladores, como a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, “O município de Caruaru possui uma grande importância regional no Agreste pernambucano, configurando-se como o principal polo econômico da Região Intermediária de Caruaru (composta por 64 municípios do seu entorno), impactando o desenvolvimento de inúmeros municípios circunvizinhos que juntos, possuem população estimada, em 2020, de 2,3 milhões de habitantes, equivalente a 24,02% da população total do Estado de Pernambuco.”
O aeroporto de Caruaru sairá de uma pista de 1.800 metros de comprimento e 30 metros de largura para 2.250 metros e 45 metros de largura, 50 metros de comprimento a mais que o da cidade cearense. Esse comprimento de pista permitirá operações de aeronaves de companhias como Gol, Azul e Latam, sem penalizações de peso, permitindo voos para quaisquer partes do Brasil.

Além da pista ampliada, o aeroporto terá faixa de pista preparada, área que inclui a pista de pouso e as zonas de parada (RESAs), destinadas a proteger a aeronave durante as operações de pouso e decolagem e a reduzir o risco de danos à aeronave, em caso desta sair dos limites da pista.

Um novo terminal de passageiros com 6.000 m2 e em área adjacente ao atual foi considerado a melhor opção para compatibilizar o pleno atendimento à normas de aviação civil e possibilidade de expansão futura. A nova área será climatizada.

Está prevista também uma área logística para potencializar a movimentação de cargas têxteis, vocação histórica da região.

Está previsto um pátio de aeronaves ampliado com capacidade de recebimento simultâneo de aeronaves comerciais médias. Haverá área de Seção Contra Incêndio, natural para operações comerciais.

Investimento em aviação regional

Os investimentos em aeroportos do interior do Nordeste reforçam uma tendência observada em diversas cidades que buscam o despertar ou a consolidação de operações aeroportuárias comerciais.

São casos das ampliações de aeroportos como os de Mossoró-RN, Barreiras e Feira de Santana na Bahia e até mesmo a construção do aeroporto Costa dos Corais, na região de Maragogi – AL.

São grandes centros que buscam a descentralização de operações comerciais relevantes fora das capitais. A região de Caruaru tem pujança e população para ter voos nacionais e terá finalmente infraestrutura para tal.

Em 2024, quando começaram os voos com aeronave de 70 lugares, o ATR-72, na cidade, a própria Azul Linhas Aéreas sinalizou interesse em retomar e expandir operações nacionais na cidade após a conclusão das obras e a certificação da infraestrutura para aeronaves da categoria 3C, como o Airbus A320, Boeing 737 e Embraer E2-195, que poderiam ligar a cidade aos grandes centros.

Em Caruaru, a demanda para os voos com destino a Recife com os ATRs não se mostrou suficiente para sustentar a operação, e os voos acabaram sendo interrompidos.

Pensando em operações mais rentáveis, entre as possibilidades mais prováveis está a implantação de voos ligando Caruaru diretamente a São Paulo, conexão que tem potencial para impulsionar ainda mais os negócios e a mobilidade do Agreste pernambucano. É o que ocorre com cidades como Juazeiro do Norte, Petrolina, Vitória da Conquista. O cenário é promissor e pode marcar o início de uma nova fase para a aviação da região.

Voos nacionais triangulares também poderiam viabilizar operações entre São Paulo, Recife e Caruaru, para dar sustentabilidade inicial ao voo. Essa solução foi responsável por trazer de volta os voos comerciais da Azul, por exemplo, a Aracati, no Ceará: voos triangulares entre Belo Horizonte, Aracati e Fortaleza.

Proximidade de Recife

Da mesma forma que existiu até aqui uma barreira à atração de voos nacionais, dado que o aeroporto ainda carece de infraestrutura, após o fim das obras, persistirá uma dificuldade natural extra.

Caruaru está localizada a cerca de 135 quilômetros de Recife, o maior hub aéreo do Norte-Nordeste, com oferta elevada de voos e, naturalmente, melhores preços. Em condições normais, o trajeto pela BR-232 pode ser realizado em aproximadamente duas horas.

Na prática, isso significa que muitos moradores e empresários do Agreste enxergam o Aeroporto Internacional do Recife como uma extensão natural de sua área de influência. Afinal, ao chegar à capital, o passageiro encontra dezenas de destinos domésticos, voos internacionais, múltiplos horários e uma boa concorrência entre companhias aéreas.
Essa dificuldade encontrada no entorno de Caruaru pode ser vista em outros municípios até maiores como Feira de Santana na Bahia (próximo a Salvador), São José dos Campos (próximo a Guarulhos).

Se um passageiro consegue chegar de carro ao Recife em pouco mais de duas horas e embarcar diretamente para São Paulo, Brasília, Lisboa ou Buenos Aires, a companhia aérea precisará oferecer uma proposta que traga melhor custo-benefício ao viajante.
Os organismos governamentais terão novamente papel decisivo na construção de um contexto que faça os voos aparecerem. Concessão de subsídios, redução de alíquotas de impostos, divulgação de eventos turísticos locais e melhoria da infraestrutura da cidade para receber eventos são algumas das medidas necessárias.

Movimentação de passageiros aeroporto de Caruaru (ANAC)

Ano Passageiros Ocupação
2020             687                      57%                 
2021 4151 56%
2022 1770 37%
2023 547 19%
2024 4292 38%
2025 266 18%
2026 140 20%


Para fotos e vídeos atualizados das obras e projetos executivos de como o aeroporto ficará, sugerimos ao leitor acompanhar a página @aeroportodecaruaru no Instagram.