Stop and Go: Investimentos militares no Brasil têm histórico de altos e baixos
Pragmatismo marca investimentos nas Forças Armadas. Grandes projetos armamentistas do Brasil, como ProSub, Guarani, Gripen, KC-390 e Astros foram lançados, acelerados ou retomados em governos petistas
O presidente Lula defendeu, nesta sexta-feira (24), os investimentos federais nas Forças Armadas, apesar de a tradição do Brasil ser o diálogo e a diplomacia. “As Forças Armadas são como Deus, você pode não acreditar, mas na primeira dor de barriga diz: ai meu Deus”, disse o presidente durante evento na Avibras Aeroco, indústria de equipamentos de defesa que é fornecedora do governo.
O Brasil tem hoje grandes projetos armamentistas, a exemplo do ProSub (submarinos), Guarani (blindados), Gripen (caças), KC-390 (cargueiro) e Astros (mísseis e foguetes). Um fato curioso é que todos esses programas foram iniciados ou acelerados nos governos Lula I, Lula II, Dilma e Lula III. Ou seja, as gestões da dita “esquerda comunista” foram, paradoxalmente, as que mais investiram nas Forças Armadas.
A decisão de dar atenção especial ao Exército, Marinha e Aeronáutica é pragmática. A grosso modo, é uma barganha política que troca a modernização do equipamento militar pela redução do papel político das Forças Armadas na vida institucional do país. Já o Governo Bolsonaro fez o oposto, trouxe os militares para o centro da política nacional, mas não representou os investimentos extraordinários que se esperava de um capitão na Presidência.
Investimentos e transferência de tecnologia
Os investimentos governamentais na Defesa Nacional são essenciais para empresas como Embraer e Avibras, principais beneficiárias da política de reaparelhamento técnico e tecnológico militar. A Avibras, por exemplo, chegou a entrar em recuperação judicial após entrar em crise financeira e atrasar os salários dos funcionários por meses e enfrentar uma greve de quase 1.300 dias. No último mês de maio, a empresa, agora com capital privado, retomou a produção com o programa Novo Astros, de desenvolvimento do sistema de mísseis do Exército Brasileiro.
A ex-estatal Embraer foi igualmente beneficiada pelos investimentos governamentais, com o plus da transferência de tecnologia do programa dos caças Gripen e desenvolvimento dos cargueiros KC-390 Millennium encomendados pela Força Aérea Brasileira (FAB).
Outro programa, o ProSub, desenvolvido a partir de um acordo firmado entre o Brasil e a França, que prevê construção e entrega de submarinos convencionais e um submarino nuclear. Da mesma forma que o Gripen, o ProSub envolve a transferência de tecnologia da empresa francesa Naval Group para a Marinha brasileira.
Desafios orçamentários
Olhando para as últimas décadas, os investimentos militares viveram um processo de “stop and go”, com fases de investimento, aceleração e contenção de gastos. Do ponto de vista orçamentário, as despesas com pessoal consomem 85% dos recursos destinados às Forças Armadas e os investimentos ficam sujeitos a contingenciamentos.