Crescimento econômico no Brasil é refém do crédito e do consumo
Liberação de até 20% dos saldo do FGTS para pagar dívidas, como estuda o governo federal, reabilita a capacidade de consumo de milhões de endividados. Pode ser bom para o PIB, mas condena o Brasil a manter a baixíssima taxa de poupança doméstica
O governo federal avalia a liberação de 20% do saldo do FGTS para que o brasileiro inadimplente quite suas dívidas, restabelecendo, consequentemente, o acesso ao crédito. Podendo recorrer ao “crediário” novamente, o brasileiro irá, certamente, voltar às compras, o que é positivo para o dinamismo da economia nacional, intrinsecamente ligada ao consumo das famílias. Ou seja: quanto mais os brasileiros consomem, maiores são as chances de o país apresentar um crescimento mais robusto do PIB.
Bom, não? Nem tanto. Com a possibilidade de voltar ao “parcelado”, o consumidor irá retornar, inevitavelmente, às compras a prazo e, em poucos meses, retomar a condição de inadimplente. É cultural. Não por acaso as compras parceladas no cartão de crédito e o consórcio são invenções verde-amarelas. Até mesmo o Pix teve que ceder ao parcelamento.
Parece contraditório. E é! O incentivo ao consumo desestimula a poupança interna, que é o motor do investimento. As principais economias do mundo têm taxas de investimento superiores a 20% do PIB, enquanto no Brasil ela é de apenas 14,5%. Ficamos abaixo da média da América Latina (17,5%) e dos BRICS (27,4%), empatados tecnicamente com a Argentina. E o que isso significa? Sem poupança doméstica, o país segue dependente do capital externo e, assim, suscetível ao humor do mercado financeiro internacional.
Trabalho por aplicativos sai da pauta
A votação do projeto de lei que regulamenta o trabalho por aplicativo, sob relatoria do deputado pernambucano Augusto Coutinho (Republicanos), deve ser retirada da pauta da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (14). Segundo o parlamentar, a medida foi adotada a pedido da liderança do governo para preservar o mérito técnico do texto e evitar desgastes na votação.
Carteira imobiliária da Sicredi cresce 66%
Refletindo o aquecimento do mercado de imóveis em Pernambuco, a Sicredi-PE registrou expansão de 66% na sua carteira imobiliária nos últimos 12 meses. A possibilidade de financiar até 90% do valor do bem em 35 anos impulsionou o desempenho. Para 2026, a expectativa é de continuidade no ciclo de alta, uma vez que o setor iniciou o ano com crescimento de 14,6%, segundo dados do Banco Central.
Dívidas de empresas somam R$ 213 bilhões
As empresas brasileiras fecharam o ano de 2025 com um volume de dívidas sem precedentes: R$ 213 bilhões. Segundo levantamento da Serasa Experian, 8,9 milhões de CNPJs estão negativados no país, dos quais 8,5 milhões referem-se às micros e pequenas empresas. Em Pernambuco, o cenário é igualmente crítico, com 242,8 mil empresas inadimplentes - é o segundo maior volume do Nordeste e o nono do País.