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Guerra no Oriente Médio: Nada está tão ruim que não possa piorar

Entrada do grupo xiita Houthi no conflito, com os ataques a Israel no último sábado (28 de março), ameaça amplificar a crise do petróleo com eventuais ataques a embarcações no Mar Vermelho, uma importante rota de transporte marítimo via Canal de Suez

Por Pedro Ivo Bernardes

Ataques a embarcações no Mar Vermelho e bloqueio do Estreito de Ormuz deixa exportadores de petróleo sem alternativa

A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã acaba de completar um mês e as incertezas sobre sua duração e os impactos na economia continuam a tirar o sono de governantes e agentes financeiros neste fim de março. Apesar da previsão feita pelo presidente norte-americano, Donald Trump, de que o conflito duraria quatro ou cinco semanas, ele continua em curso.

Diante do cenário, alguns analistas de finanças parecem estar invocando algumas das “Leis de Murphy”, que têm como princípio fundamental a máxima de que “se algo pode dar errado, dará”. Entre elas está a do tempo: “Tudo leva mais tempo do que se julgava”. Nos últimos dias, porém, outra Lei de Murphy tem inquietado quem acompanha o conflito: “Nada está tão ruim que não possa piorar”.

O temor tem sua razão de ser: a entrada dos Houthis no conflito, com os ataques à Israel em 28 de março, ameaça ampliar a crise do petróleo por causa de possíveis ataques, a partir do Iêmen, a embarcações que buscam acessar o Mar Mediterrâneo através do Canal de Suez. O grupo político-militar xiita, também conhecido como Ansarallah (Apoiadores de Deus), já bombardeou navios no Mar Vermelho em apoio ao Hamas durante a guerra em Gaza.

A pressão econômica sobre o presidente norte-americano talvez explique sua repentina disposição para a negociação. A abertura de uma nova frente de batalha no Mar Vermelho, somada ao controle iraniano do Estreito de Ormuz, deixaria os países exportadores de petróleo praticamente sem alternativa para escoar a produção.

Longe de querer ser mensageiro do apocalipse, mas Trump deveria ter revisitado as leis inspiradas em seu compatriota Edward Murphy, principalmente a que fala sobre solução de problemas: “Se um problema parece fácil de resolver, você não entendeu o problema”.

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