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Sonho pernambucano, líder do Nordeste

Os principais candidatos ao governo de Pernambuco prometem colocar o estado de volta na liderança da região. Novos dados do CLP mostram o tamanho desse desafio.

Por Mano Ferreira

Principais candidatos ao Governo de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB)

Raquel Lyra promete recolocar Pernambuco na liderança do Nordeste. João Campos também. Desde a Confederação do Equador, este é um sonho pernambucano compartilhado pelas mais diferentes correntes políticas. A nova edição do Ranking de Competitividade dos Estados, divulgado ontem pelo Centro de Liderança Pública, em São Paulo, chega em boa hora para dar números ao desafio.

Pernambuco subiu duas posições no ranking nacional. Agora ocupamos a 17ª colocação em competitividade entre os 27 estados, atrás de quatro vizinhos nordestinos: Ceará (11º), Paraíba (12º), Rio Grande do Norte (15º) e Sergipe (16º).

É sempre difícil dar tratamento objetivo a um sonho embalado de lirismo, com um certo ar nostálgico e uma trilha sonora de frevo de bloco. Afinal, o que seria liderar o Nordeste? Ter o maior PIB? Atingir a melhor renda per capita? Ter a produção cultural mais influente? Bom, talvez nessa parte a gente nunca tenha saído do topo. Mas é o que resta de consolo.

Do ponto de vista econômico, faz muito tempo que Pernambuco não lidera indicadores relevantes. A Bahia responde por 3,9% do PIB nacional. É quase o dobro dos 2,5% representados por Pernambuco. Essa é a nossa proporção diante da economia brasileira desde pelo menos 2002, com variação pontual de 0,1%, praticamente inexpressiva. Ou seja: são pelo menos 24 anos sem um ganho de significância proporcional na produção do país.

A propósito, a constatação desse imobilismo relativo derruba 2 grandes mitos políticos bastante difundidos no estado. Primeiro, a ideia de que tenhamos vivido uma espécie de Era de Ouro com Eduardo Campos. Essa tese furada aparece com diferentes roupagens nos discursos de João, filho de Eduardo, e de Raquel, filha do então vice-governador, João Lyra Neto. O segundo mito é que, numa perspectiva histórica, Lula seja um presidente especialmente bom para o estado. Os dados não concordam.

O ranking do CLP propicia uma análise por outro viés, mais sofisticado, combinando diversos indicadores oficiais de educação, infraestrutura, segurança, sustentabilidade, máquina pública, ambiente de negócios e inovação. Nesta edição, a liderança do Nordeste está com o Ceará, puxado por ganhos no critério Potencial de Mercado.

Nos últimos anos, Pernambuco avançou em alguns índices. Em Solidez Fiscal, saiu do 18º lugar herdado do governo Paulo Câmara para o 12º hoje. Na Segurança Pública, saímos da vergonhosa 25ª posição para a 17ª. A maior tragédia aparece no critério Capital Humano, em que saímos do 7º lugar nacional em 2019 para o 26º ao fim do governo Paulo, tendo avançado apenas uma posição neste ano.

Se desejamos de fato realizar o sonho pernambucano, recolocando o estado na liderança do Nordeste, precisamos ter coragem de quebrar os tabus históricos, aprender com as boas práticas e encarar o desafio com franqueza. E levantar cedo pra labuta, porque somos madeira de lei que cupim não rói.