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Pablo Marçal sabota o processo eleitoral

Profissional do tumulto, Marçal força a barra mesmo sabendo de sua inelegibilidade para dispersar a energia, atrapalhar o debate e prestar serviço à campanha de Flávio Bolsonaro

Por Mano Ferreira

Pablo Marçal

Pablo Marçal é um agente do caos. Há quem ache divertido no mundo do entretenimento. É uma tragédia para a qualidade da política. Inelegível, ele sabe que não poderá sustentar sua candidatura à presidência da República pelo PRTB, lançada no último sábado. Mesmo assim, força a barra. Engana o eleitor para, deliberadamente, atrapalhar o debate. Despista a atenção que deveria ser depositada aos grandes desafios do país.

 
 
 
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Marçal não se tornou inelegível à toa. Há dois anos, durante a campanha para a Prefeitura de São Paulo, ultrapassou todos os limites éticos. Disparou uma verdadeira metralhadora giratória de falsidades contra todos os concorrentes. Sem nenhuma comprovação ou indício razoável. Sem nenhuma compaixão com os seres humanos com quem disputava.

Apenas três de suas acusações estapafúrdias: acusou Tabata Amaral pelo suicídio do próprio pai; Datena de abuso sexual, gatilho da lamentável cena da cadeirada; e Boulos de ser viciado em cocaína, publicando nas redes um laudo falsificado com assinatura de um médico morto a poucas horas da abertura das urnas.

O motivo da inelegibilidade foi outro: o seu concurso de cortes. O candidato prometia remunerar diretamente o eleitor que, voluntariamente, produzisse o corte mais viral das suas participações em podcasts, sabatinas e eventos. Promessa de vantagem financeira indevida ao eleitor, vulgo compra de votos.

Existe um tipo de candidato que só concorre para vencer, quando tem chance efetiva de ser eleito. Existe um outro que concorre para marcar posição: pode ter derrotas eleitorais, mas vitórias políticas, por fazer com que as propostas de seu partido se tornem mais conhecidas. Há ainda um terceiro tipo, igualmente legítimo, que vai para o sacrifício: sabe que o momento não está favorável e entra consciente da certeza da derrota, mas cumpre uma missão de representar o seu grupo político. Há ainda um quarto tipo, o candidato abertamente linha-auxiliar, como foi o Padre Kelmon em 2022: sua função é servir de escada para outro candidato com chance real de vitória.

Pablo Marçal não é nada disso. É um candidato sabotador. Além do vício pessoal em aparecer e chamar atenção, a sua missão é atrapalhar o debate e bagunçar ainda mais o campo da direita.

Qualquer chance de mudança da liderança antipetista depende da capacidade dos demais de se apresentarem como alternativas mais interessantes do que Flávio Bolsonaro para quem não deseja ver o presidente Lula reeleito. Precisam de tempo e capacidade de comunicação para se tornarem conhecidos e apresentarem propostas convincentes.

Pablo Marçal bagunça o coreto. Torna ainda mais difícil a já difícil missão dos candidatos. Sabe que a sua candidatura não será mantida. Mas ao sequestrar a atenção do debate, diminui o tempo de ação disponível para os concorrentes.

Na prática, favorece o status quo do seu campo: Flávio Bolsonaro. E prejudica o eleitor que gostaria de um debate sério.