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Alexandre, o cupido de Lula e Alcolumbre

Às vésperas da eleição, a aliança política articulada por Alexandre de Moraes vem turbinada pela aprovação de gastos fora do orçamento. Qual o preço da paz?

Por Mano Ferreira

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, em Brasília

Em três encontros, a relação entre Lula e Davi Alcolumbre, o presidente do Congresso Nacional, saiu do gelo protocolar para as calorosas promessas de amor. Na última sexta, Alcolumbre despachou para a CCJ a PEC do fim da escala 6x1, parada desde maio, a PEC da Segurança Pública, engavetada desde março, e o projeto do Marco dos Minerais Críticos, que vem ganhando relevância pelo caráter estratégico para a economia.

Os dois estavam abertamente rompidos desde abril, quando o Senado rejeitou a nomeação de Jorge Messias como ministro do Supremo. Uma humilhação histórica imposta por Alcolumbre a Lula, que se tornou o primeiro presidente em mais de um século a ter uma indicação para o STF negada pelo Congresso.

De abril para agosto, às vésperas da eleição, que ventos sopraram em Brasília para realinhar essas estrelas? Alguma hipótese master?

A reaproximação contou com o trabalho de um cupido, no mínimo, peculiar: Alexandre de Moraes, ministro do Supremo. Auxiliado pela articulação de Cristiano Zanin, seu colega de Corte, Moraes foi anfitrião do jantar que selou o reinício do diálogo entre os dois.

Curiosamente, os círculos de Brasília também apontam Moraes como um nome que articulou intensamente junto aos senadores pela rejeição de Messias. Exatamente: nessa novela, Alexandre participou do rompimento e foi protagonista da reconciliação. O apetite político de um ministro do Supremo é revelador do quanto a República está virada pelo avesso.

Moraes está sob suspeitas desde a revelação de que sua esposa manteve um contrato multimilionário com o grupo de Daniel Vorcaro, o banqueiro mafioso. Dezenas de pedidos de impeachment de ministros do STF se avolumam no Senado. Tema temido, que pode ganhar a atenção dos eleitores.

Nesse cenário, Alexandre parece agir para garantir que nada mude: Lula reeleito e Alcolumbre reconduzido à presidência do Senado podem ser o cadeado na gaveta em que repousam os pedidos de impeachment. Aquele tal de grande acordo nacional, com o Supremo e com tudo.

Enquanto isso, o que vemos no Congresso? Mais gastos aprovados fora do teto, arranjados em contabilidade criativa. R$ 7,5 bi para Defesa, R$ 3 bi para saúde e educação, R$ 1,2 bi para combustíveis, R$ 5 bi para fertilizantes. Sobrou até uns trocados para a Copa do Mundo feminina da FIFA. Em ano de eleição, pra que levantar a desagradável pergunta de quem paga a conta?

Durante o Lula 3, as receitas cresceram impressionantes 17%. Os gastos cresceram ainda mais: 22%. De bilhão em bilhão, explodimos a galinha da dívida pública.
Bolsonaro entregou a dívida em 72% do PIB. Lula piorou, elevando a 81,9%. A média dos países emergentes, com renda semelhante à nossa, é 65,2%. Não é à toa que temos uma das maiores taxas de juros do mundo. Como diz Marcos Lisboa, é trabalho de profissional.

Invertemos a lógica nacional dos botequins, que evitam o fiado. Para nossa política, ajuste é que nem satisfação ao povo: só amanhã.