Morre Juarez Machado, artista plástico e pioneiro do humor na TV
Juarez foi, também, responsável pelos projetos gráficos e ilustrações para álbuns e compactos de grandes artistas da música brasileira — como Elis Regina, Roberto Carlos, Raul Seixas e Emílio Santiago
O artista plástico Juarez Machado morreu nesta terça-feira (6/10), aos 85 anos, em Vassouras, no interior do Rio de Janeiro. Era considerado um dos mais bem-sucedidos pintores brasileiros e teve uma carreira de grande projeção, sobretudo nos anos 1970, quando era responsável pela programação visual de vários programas da Rede Globo — sobretudo os humorísticos. A causa da morte não foi divulgada.
O comunicado da morte foi feito pelo Instituto Internacional Juarez Machado (IIJM), que, em nota, destacou que ele "construiu uma trajetória singular nas artes, reconhecida no Brasil e no exterior". Catarinense de Joinville, em mais de mais de 60 anos de carreira atuou como pintor, escultor, desenhista, caricaturista, ilustrador e cartunista. Juarez era reconhecido internacionalmente, com inúmeras exposições espalhadas pelo mundo.
Ele começou a pintar em 1960 e, em 1964, realizou sua primeira mostra individual. Ainda naquela década, montou um ateliê no Rio de Janeiro, participando ativamente do movimento artístico da então Guanabara. Foi chargista dos principais jornais do país, entre eles, o falecido Jornal do Brasil.
Porém, a obra de Juarez começou a ser conhecida do grande público na década de 1970, quando foi pioneiro do desenho de humor na televisão brasileira. Marcou história sobretudo nos programas humorísticos da Rede Globo — como Faça Humor, Não Faça Guerra e Satiricon — e na primeira encarnação do Fantástico, onde teve um quadro em que atuava como mímico e interagia com seus próprios desenhos. Para fazê-lo, Juarez de inspirou no personagem Bip, o Palhaço, do mímico francês Marcel Marceau, inclusive pintando o rosto da mesma forma e com expressões corporais semelhantes.
Juarez foi, também, responsável pelos projetos gráficos e ilustrações para álbuns e compactos de grandes artistas da música brasileira — como Elis Regina, Roberto Carlos, Raul Seixas e Emílio Santiago. Ilustrou, ainda, a capa do disco de estreia da banda paulistana de rock Joelho de Porco, o aclamado São Paulo 1554/Hoje.
Nos anos 1980, Juarez mudou-se para Paris, onde montou um ateliê internacional e consolidou seu reconhecimento também no cenário artístico europeu.
Em 1998, com a inauguração do Centreventos Cau Hansen, em Joinville, mostrou ao mundo uma de suas principais obras: o mural cerâmico O Grande Circo, que estampa a entrada do prédio que, ao longo dos anos, tornou-se um dos principais pontos turísticos da cidade.
Também em Joinville, inaugurou, em 2014, o Instituto Internacional Juarez Machado, instituição sem fins lucrativos que se dedica à difusão da arte no norte catarinense.