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Chuvas de meteoros visíveis no Brasil têm pico simultâneo na madrugada de quinta para sexta-feira

Fim do mês reserva um encontro raro para quem gosta de observar "estrelas cadentes"

Por Villanova Neto

Chuva de meteoros surge quando a Terra cruza o rastro de poeira e fragmentos deixado por um cometa em sua órbita ao redor do Sol

O Brasil poderá acompanhar duas chuvas de meteoro na madrugada entre esta quinta (30) e sexta-feira (31). As chuvas de meteoros Delta Aquáridas do Sul e Alfa Capricornídeas vão coincidir e atingir o pico de atividade depois da meia-noite, estendendo-se até pouco antes do amanhecer. O fenômeno será visível em todo o Brasil.

De acordo com o Observatório Nacional, a Delta Aquáridas do Sul, como o próprio nome indica, favorece o Hemisfério Sul porque o radiante fica mais alto no céu deste hemisfério, o que facilita a observação. A Alfa Capricornídeas também pode ser vista em todo o País, já que sua constelação de referência, Capricórnio, fica bem posicionada no céu noturno brasileiro nesta época do ano.

Uma chuva de meteoros surge quando a Terra cruza o rastro de poeira e fragmentos deixado por um cometa em sua órbita ao redor do Sol. Ao entrarem na atmosfera terrestre em alta velocidade, essas partículas (em geral do tamanho de um grão de areia) se aquecem por atrito com o ar e se desintegram, criando os rastros luminosos que conhecemos como estrelas cadentes.

No caso da Delta Aquáridas, a origem ainda intriga os astrônomos: não há certeza absoluta sobre qual corpo celeste deixou esse rastro, mas a Nasa aponta o cometa 96P/Machholz como principal "suspeito".

Das duas, a Delta Aquáridas do Sul costuma ser mais generosa: sob céu escuro e sem interferência lunar, pode produzir entre 15 e 25 meteoros por hora, segundo a Sociedade Americana de Meteoros. Seus fragmentos cruzam a atmosfera a cerca de 41 quilômetros por segundo e parecem surgir da constelação de Aquário, o que dá nome à chuva.

Já a Alfa Capricornídeas é mais tímida em quantidade, com cerca de cinco meteoros por hora, mas compensa em espetáculo. Como se deslocam mais devagar, a aproximadamente 23 quilômetros por segundo, seus meteoros tendem a ser mais brilhantes e duradouros, às vezes formando verdadeiras "bolas de fogo" no céu, fenômeno descrito pelo astrônomo Marcelo De Cicco, do Observatório Nacional.

O timing, no entanto, não ajuda os observadores este ano. Como a Lua cheia de julho cai justamente na quarta-feira (29), ela ainda estará com cerca de 98% de sua superfície iluminada durante o pico das duas chuvas. Esse excesso de luz tende a ofuscar os meteoros mais fracos, deixando visíveis os mais intensos e favorecendo justamente as bolas de fogo da Alfa Capricornídeas.

Como observar as chuvas de meteoros?

O Observatório Nacional e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação recomendam buscar um local escuro, afastado da poluição luminosa das cidades, e observar o céu entre a meia-noite e o amanhecer, horário em que o radiante das chuvas, o ponto de onde os meteoros parecem partir, está mais alto no horizonte. Manter a Lua fora do campo de visão, escondida atrás de uma construção ou de uma árvore, por exemplo, também aumenta as chances de flagrar um rastro luminoso.

Nenhum equipamento especial será necessário, pelo contrário: telescópios e binóculos, na verdade, podem até atrapalhar, porque reduzem o campo de visão e dificultam captar os rastros rápidos dos meteoros. O ideal é se acomodar em uma cadeira ou deitar-se, olhar para uma faixa ampla do céu e dar um tempo (cerca de 20 minutos) para que os olhos se adaptem à escuridão.

Quem não conseguir observar o fenômeno nesta semana ainda terá chance: a Delta Aquáridas segue ativa, em ritmo mais fraco, até meados de agosto, quando se soma a uma das chuvas mais aguardadas do ano, a Perseidas, com pico previsto para a noite de 12 para 13 de agosto.