'Recebi ataques misóginos': Carol Celico nega ter se separado de Kaká por ele ser 'perfeito demais'
Mais de dez anos após a separação, empresária quebra o silêncio sobre repercussão internacional de falsa declaração e reforça o combate à misoginia e à desinformação
A empresária Carol Celico usou as redes sociais para desmentir categoricamente uma das narrativas mais difundidas do universo futebolístico brasileiro: a de que teria se divorciado do ex-jogador Kaká porque ele era "perfeito demais". Em pronunciamento publicado nesta quinta-feira (28), ela revelou o desgaste provocado pelos ataques sofridos após a repercussão da suposta declaração — que, segundo afirma, partiu de uma distorção ampliada por tabloides internacionais.
À época, Celico estava no nono mês de gestação do filho caçula e dividia as energias entre a administração da própria empresa e os cuidados com Luca e Isabella, frutos do seu primeiro casamento.
“Recebi ataques misóginos e violentos. A minha imagem foi usada pra vender curso, produto, gerar engajamento e discursos machistas. E isso está acontecendo até agora. Mais de uma década depois que eu me separei, anos depois dessa frase chegar no mundo inteiro”, desabafou.
Ainda nas palavras da empresária, o boato ultrapassou questões de imagem e reputação, afetando também a dignidade das famílias envolvidas.
“Eu vejo o assunto voltando, a mentira voltando, como se isso fosse parte da minha história. Mas não é. E ser atacada, injustiçada, usada por algo que você não falou é uma das coisas mais frustrantes que existe. A gente fica sem chão até para se defender”, acrescentou.
A engrenagem da "machoesfera"
Para muito além dos tabloides, a falsa declaração encontrou apoio em comunidades digitais ligadas à subcultura "red pill", popularmente conhecida no Brasil como "machosfera". Nesses espaços, marcados pela disseminação de discursos de ressentimento de gênero, a especulação foi transformada em "exemplo prático" para sustentar a ideia de que mulheres seriam incapazes de valorizar parceiros considerados “bem-sucedidos”, “religiosos” e “virtuosos”.
Influenciadores de comportamento masculino e criadores de conteúdo de autoajuda financeira apropriaram-se da imagem de Carol sem autorização para impulsionar o engajamento de suas páginas e a venda de cursos. O caso foi explorado para reforçar a tese de que o público feminino seria inerentemente "insaciável" e "imprevisível", independentemente do comportamento de seus cônjuges.
Separada do ex-meio-campista da Seleção Brasileira desde 2015, a empresária contou que tentou conter a circulação da fake news de maneira discreta ao longo dos anos. Diante da persistência do assédio e da difamação, no entanto, decidiu se posicionar publicamente e acionar medidas legais.
"Esse posicionamento é sobre os meus valores pessoais, que são idôneos, que não dão espaço a nenhum tipo de misoginia ou fake news. Quem define quem somos, somos nós mesmos. E eu sou mulher, mãe e profissional", concluiu.