° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

"A gente espera justiça": família de criança baleada em aniversário acompanha 1ª audiência do caso

A audiência de instrução e julgamento acontece nesta segunda (27), no Fórum Desembargador Henrique Capitulino, em Prazeres, Jaboatão dos Guararapes

Por Cadu Silva

Família de Emilly Vitória se reúne em frente ao Fórum Desembargador Henrique Capitulino

“A gente espera justiça pela vida de Emilly.” O apelo é de Samara Andrade, prima de segundo grau da menina de 6 anos morta a tiros durante uma festa de aniversário no Grande Recife.

A primeira audiência de instrução e julgamento do caso acontece nesta segunda-feira (27) e deve definir se o acusado será levado a júri popular.

Familiares e amigos da criança estiveram no fórum para acompanhar a audiência e reforçar o pedido por justiça.

“E a gente espera que ele seja condenado à pena máxima”, afirmou Samara.

Primeira audiência

De acordo com o advogado da família, João Vitor, apenas um réu responde pelo caso.

“Vai apenas um réu, que é o Sérgio Heverton. Essa audiência é a primeira fase do júri, onde serão ouvidas testemunhas de acusação para que o juiz decida se ele vai a júri popular”, explicou.

Segundo ele, não foram arroladas testemunhas por parte da defesa até o momento.

“Serão ouvidas principalmente testemunhas de acusação, como familiares que presenciaram o crime e policiais militares que atenderam a ocorrência”, afirmou.

O advogado destaca que esta etapa é decisiva para o andamento do processo.

“Essa é a fase em que o juiz decide se pronuncia o réu, ou seja, se o envia para a segunda fase, que é o julgamento no júri popular”, disse.

A acusação afirma que há elementos consistentes contra o suspeito, incluindo relatos de testemunhas oculares.

“A gente tem provas robustas, principalmente de pessoas que viram toda a dinâmica do crime, desde a chegada dele até os disparos”, destacou.

O acusado responde por homicídio qualificado consumado e duas tentativas de homicídio e está preso no Centro de Observação Criminológica e Triagem (Cotel).

“É uma dor que ninguém explica”

Para a família, a audiência reacende o sofrimento, mas também fortalece o pedido por justiça.

“É muito difícil, porque ela era uma menina muito amada, muito querida por todos. A saudade é muito grande, e para a mãe é uma dor que ninguém consegue explicar”, disse Samara Andrade.

A prima também destacou a mobilização da comunidade.

“Você pode ver que a comunidade está aqui nos apoiando. A gente não queria estar passando por isso. Nenhuma família queria”, afirmou.

Ela fez ainda um alerta sobre a importância de responsabilização.

“Se não forem tomadas providências, Emilly não vai ser a primeira nem a última”, disse.

Ao lembrar da criança, Samara destacou as boas memórias.

“A gente lembra dela com muita alegria. Era uma menina muito feliz, muito querida. Só temos lembranças boas dela”, completou.

“Ela amava viver”

A irmã da vítima, Cicília Guimarães, de 24 anos, contou que tenta se apegar aos momentos felizes para lidar com a perda.

“Eu tento focar nos momentos bons que a gente viveu juntas. Eu sempre levava ela para sair, gostava de mostrar o mundo para ela, porque ela era uma menina que amava viver — e eu amava ver ela viver”, relatou.

Segundo ela, os últimos nove meses têm sido marcados pela ausência.

“Tem sido muito difícil não ver minha irmã. A gente não conseguiu mais fazer nada do que fazia antes”, disse.

O fato do crime ter ocorrido em uma festa infantil torna tudo ainda mais doloroso.

“Toda festinha que tem eu lembro dela. E agora está chegando o aniversário de sete anos dela… e a gente não vai poder comemorar”, afirmou.

A lembrança da data tem intensificado o sofrimento da família.

“Todo ano a gente fazia uma festinha para ela. Pensar que esse ano não vai ter… isso acaba comigo. Eu fico sem palavras”, completou.

Sobre o caso

O crime aconteceu durante uma festa de aniversário no bairro de Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife.

Segundo relatos, o suspeito entrou armado na residência onde acontecia a comemoração, que reunia crianças, e efetuou diversos disparos.

Emilly Vitória, de 6 anos, foi atingida por dois tiros, um no braço e outro na cabeça. Ela foi socorrida para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e depois transferida para o Hospital da Restauração (HR), no Recife, onde ficou internada por quatro dias, mas não resistiu após ter morte encefálica.

Além da criança, outras duas pessoas foram baleadas: a aniversariante, de 5 anos, e um jovem de 19 anos. Ambos sobreviveram.

O suspeito foi contido por moradores até a chegada da polícia.

Familiares acreditam que o alvo do ataque seria outra pessoa.