Publicidade é pilar contra ilegalidade
Diretor do Esportes Gaming Brasil, Hugo Baungartner, reforça que comunicação ajuda a diferenciar operadores legalizados e ilegais
A publicidade é um elemento central para a segurança do apostador e para a diferenciação entre operadores legalizados e ilegais no mercado de apostas. Esse foi um dos principais pontos defendidos por Hugo Baungartner, Chief Business Officer (CBO) do Esportes Gaming Brasil, durante participação no Masterclass do IAB Brasil, realizado na última terça-feira (14).
No encontro, o executivo dividiu a mesa com Ricardo D’Ottaviano, Fernanda Meirelles e Fernanda Maia, em um debate sobre os avanços do setor após a regulamentação e os desafios para sua consolidação.
Ao comentar o Projeto de Lei 3.563/2024, que propõe restrições à publicidade, Baungartner argumentou que a comunicação cumpre um papel estruturante no ambiente regulado. “Se não tivermos publicidade, como vamos separar os legais dos ilegais? Sem ela, o apostador perde a referência para identificar quem é legalizado”, afirmou.
Para Hugo, limitar a comunicação de operadores autorizados não reduz a demanda por apostas, mas tende a deslocar o tráfego para o mercado clandestino — onde não há as mesmas camadas de controle e proteção ao consumidor.
Na avaliação do executivo, parte do debate público ainda é influenciada por distorções de percepção geradas durante o período anterior à regulamentação. “Esse período gerou a percepção de que o setor não tinha regras. A regulamentação de 2025 veio com uma régua elevada”, disse.
Segundo Baungartner, a elevação do nível de exigência é positiva quando direcionada a reduzir riscos e proteger públicos vulneráveis, desde que baseada em evidências e com fiscalização efetiva. A lógica, argumentou, é ampliar a confiança no mercado autorizado e dar ao consumidor meios claros para reconhecer operações regularizadas.
Durante o evento, o CBO do grupo também detalhou o nível de rigor técnico exigido da indústria, que opera com certificações e auditorias compatíveis com padrões de mercados internacionais consolidados.
Ele citou que cada jogo passa por camadas de validação e controle, incluindo a auditoria do sistema (RCS), a verificação do gerador de números aleatórios (RNG) e a aferição do retorno ao jogador (RTP).
O objetivo, segundo ele, é garantir previsibilidade estatística, transparência do funcionamento e integridade do produto — elementos que ajudam a reduzir vulnerabilidades técnicas e dão robustez ao ambiente regulado.
No tema de jogo responsável, Baungartner destacou o uso de ferramentas de monitoramento de comportamento e mecanismos ativos de proteção. “Temos plataformas que acompanham a jornada do usuário, com alertas, sugestões de pausa e definição de limites. São mecanismos ativos de proteção que já fazem parte da operação”, afirmou.
Na prática, o argumento é que o mercado regulado precisa conciliar entretenimento com governança, estimulando decisões informadas e dificultando padrões de uso inadequados.
Outro ponto abordado foi a discussão sobre a regulamentação do setor B2B (cadeia de fornecedores), atualmente em debate na Secretaria de Prêmios e Apostas. Para Baungartner, a medida é estratégica no combate ao ilegal ao exigir licenciamento e conformidade de todos os elos que compõem a operação.
“Dentro da operação existem diversos serviços acoplados, como jogos, ferramentas de KYC, meios de pagamento, plataformas de CRM e sistemas de jogo responsável. A regulamentação desse ecossistema exige que todos operem com licença, estrutura local e conformidade regulatória”, concluiu.
O Masterclass do IAB Brasil reuniu executivos para discutir padrões e boas práticas de publicidade digital em setores regulados e de alta exposição pública. Para Baungartner, o avanço do marco regulatório cria uma oportunidade de qualificar o debate sobre comunicação no segmento de apostas, com foco em responsabilidade, clareza de mensagens e mecanismos de proteção ao consumidor.
O IAB Brasil, organizador do encontro, é uma entidade voltada ao desenvolvimento de padrões técnicos e boas práticas para a publicidade digital, incluindo planejamento, compra e mensuração.