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Com apenas 21 anos, líbero do Minas se destaca no Mundial com a Seleção Brasileira
Maique passou de quase desconhecido a peça importante da equipe vice-campeã
[SAIBAMAIS]Tudo, segundo Maique, aconteceu quase por acaso e, apesar de sempre sonhar em jogar numa grande equipe e chegar à Seleção Brasileira, ele não esperava disputar um Mundial tão cedo. Aliás, diz que a sorte e o técnico Nery Tambeiro, do Minas, foram os responsáveis por criar um atalho que ele jamais poderia imaginar.
“Eu jogava no Três Corações, que tinha um projeto para a formação de uma equipe adulta. O time do Sul de Minas, há três anos e meio, disputou um Campeonato Mineiro adulto e eu joguei, mesmo com 17 anos. Mas o projeto não foi pra frente. Acabou logo depois. Fiquei desiludido. Foi quando apareceu o técnico Nery Tambeiro, que me convidou para vir para o Minas. Era ainda para o juvenil. Mas a contusão do líbero do time adulto, Lucianinho, acabou por abrir as portas. O Nery me chamou para o time adulto. Quase não acreditei”, conta Maique.
Para ele, era a realização de uma parte de seu sonho: estar numa grande equipe. Confessa que chegou a pensar em parar de jogar. “Quando acabou o projeto de Três Corações, achei que era o fim. Penso, às vezes, no que faria hoje. Talvez fosse um estudante universitário, de fisioterapia. Mas não sei se teria condições de bancar os estudos. Teria de trabalhar. Não consigo imaginar outra coisa que não o vôlei. É o que queria.”
Seleção Veio então a convocação para a Seleção Brasileira Sub-21, junto com outros oito companheiros de Minas. Uma vez na Seleção de Novos, ficou sabendo que três líberos iriam para Saquarema treinar com a equipe adulta. “Disseram que iríamos eu, Pureza, do Sesi-SP, e Rogerinho, que também é daqui do Minas. Eu sabia que seria a terceira opção. Cada um seria testado durante dois dias. Mas, pra minha surpresa, segui treinando, três, quatro, cinco dias e acabei escolhido. Foi demais.”
Era uma nova situação, uma “nova vida”, como diz Maique. “De repente, eu estava ali, jogando ao lado daqueles que admirava, que via jogar – Wallace, Chupita, Bruno. Queria muito chegar à Seleção Brasileira, mas não esperava que fosse agora. Eu estava ali, com meus ídolos.”
O jovem jogador chegou a sentir medo. “Eu não sabia como seria recebido. Achei que seria muito difícil entrosar com todos. Eu sou ainda muito novo. Queria que confiassem em mim. E eles me ajudaram muito, desde o começo. Vinham conversar comigo. E, mais que isso: me ouviam.”
VIDA NOVA E veio o Mundial. Maique assistiu, do banco, à primeira fase. Não entrou em nenhum dos cinco primeiros jogos. Na segunda fase, contra a Bélgica, Renan o colocou em quadra pela primeira vez. “Tinha de entrar e dar conta do recado. Era a maior oportunidade da minha vida. Estava um pouco nervoso, mas, depois da primeira defesa, o nervosismo desapareceu. Meu jogo fluiu. Sabia que esperavam muito de mim.”
O mais importante, segundo Maique, era que Renan confiasse nele. “E não é que tudo deu certo? A partir daí, entrei em todos os jogos.” O líbero minas-tenista soube lidar com a derrota na final como um veterano. “Perdemos. Mas não saí frustrado. Fomos vice-campeões, num dia em que a Polônia jogou muito. A gente sacava forte, mas eles conseguiam defender e armar o contra-ataque. Estavam num dia perfeito.”
Maique é nascido em Santo Antônio do Amparo, Centro-Oeste de Minas, e todos os dias conversava com a mãe, irmãos, primos e parentes e tinha não só notícias de casa, mas da cidade natal. “Eles diziam que a cidade parava na hora do jogo do Brasil. Não fui lá ainda depois que voltei, mas quero muito encontrar todo mundo.”
Hoje, Maique tem novos sonhos, que incluem a volta à Seleção Brasileira, mas, antes, quer realizar outros dois. “Primeiro, quero ser campeão mineiro com o Minas e, depois, da Superliga. Tenho uma história a escrever junto com meus companheiros aqui no Minas.”