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Grávida de quase 6 meses, Karine se desdobra entre as quadras e a família
Levantadora é mais uma entre tantas mulheres divididas entre o amor pela profissão e pela família. Aos 39 anos e grávida, ela continua em quadra
A gravidez não foi planejada, segundo a levantadora, de 39 anos. Casada com Eduardo Fonseca, de 35, ex-jogador de basquete do Minas, o casal já tem uma filha, Anna, de dois anos e seis meses. Por isso, jogar grávida não foi novidade para ela. “Quando a Anna nasceu, eu estava no Praia, de Uberlândia. Joguei até cinco meses e meio de gravidez. Mas agora é diferente, pois combinamos, aqui no Minas, com a comissão técnica e o departamento médico, que acompanharíamos a evolução da minha gravidez no dia a dia. Não sei até quando estarei em quadra com as meninas, mas é certo que estarei com o time até a final (da Superliga), em 22 de abril”, conta.
Segundo Karine, a segunda gravidez está sendo muito diferente, especialmente em relação à maneira de jogar: “Da outra vez, senti mais. Hoje, a situação não é só física, sinto que é mental também. Sei o quê posso fazer e o quê vou fazer, sem ter de pensar se prejudicarei meu filho. Estou mais forte. Naquele lance no Sul-Americano, por exemplo, fui na bola da mesma maneira que iria no peixinho, mas protegendo a barriga. Nesses 30 anos em que jogo, aprendi a técnica de queda. Defendo-me e o meu filho”.
Karine vê mudanças também em relação ao time, às companheiras. Se sente uma mãezona, como se as companheiras, de certa forma, fossem suas filhas também. “Digo para elas que, se eu posso, elas podem mais. Por ser mais velha, sou mais maternal que todas. Vivemos uma pressão constante. Então, procuro sempre colocá-las debaixo da minha asa”, conta.
PREOCUPAÇÃO Desde que a barriga despontou, a levantadora passou a ter a atenção redobrada de todas as jogadoras. Rosamaria passa por ela e diz: “Até quando você vai jogar? Olha a barriga!”. Mara é outra que sempre pergunta “Como está meu sobrinho?”, segundo Karine. Hooker e Leia, segundo ela, parecem as mais preocupadas. “A Hooker sempre fala pra eu parar. ‘Já chega’, diz. Se treino um pouquinho a mais, elas já vêm chamando a atenção”, ressalta.
Para a ponteira norte-americana Sonja, Karine é fundamental no grupo. “Não tem essa de perguntar se está bem ou não. Ela está sempre bem. Está melhor que todas nós. Ela é a nossa força. Precisamos dela e do incentivo que nos passa.”
No fim das contas, é como se todas as jogadoras estivessem vivendo a gravidez de Karine. E, juntas, elas querem não só estar na final, mas levantar mais uma taça, como a do Sul-Americano. “E será com meu filho na barriga”, brinca.