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Beto Lago: 'O que inquieta é a qualidade do jogo da Seleção Brasileira'

O Brasil venceu a Colômbia por 2 a 1 na noite da última quinta-feira (20), os gol da Canarinha foram de Raphinha e Vini Jr

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Europalização
A expectativa em torno da participação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo é quase unânime. Com o modelo de classificação que garante a vaga de seis dos dez países sul-americanos, e um sétimo indo para a repescagem, a presença do Brasil no torneio parece assegurada. No entanto, o que realmente inquieta os apaixonados pelo futebol é a qualidade do nosso jogo e a capacidade de reviver os grandes momentos do passado. Recentemente, tive uma conversa com o médico e amigo Romeu Krause, um ex-jogador e apaixonado pelo esporte, que expressou uma visão alarmante: o Brasil nunca mais será campeão do mundo. Sua análise se baseia na percepção de que não contamos mais com talentos individuais capazes de decidir uma competição, e que muitos dos nossos melhores jogadores atuam fora do País. Esse fenômeno, uma "europalização" do futebol brasileiro, tem levado a uma cópia excessiva das práticas europeias, enquanto nossas raízes e tradições futebolísticas ficam em segundo plano.
[SAIBAMAIS]Uma entrevista recente com João Paulo Sampaio, gestor das categorias de base do Palmeiras, ilustra bem essa situação. Ele revelou que, ao identificar um jovem talento com potencial para se tornar um "camisa 10", os clubes imediatamente o deslocam para as extremidades do campo, sacrificando sua criatividade e habilidade. O que poderia ser um novo Zico acaba se moldando a um padrão que prioriza o toque rápido e a marcação, em detrimento da liberdade criativa que sempre foi a marca registrada do futebol brasileiro.

Moldando o estilo
Os jogadores do time de Dorival Júnior, por exemplo, são em sua maioria atletas que atuam pelos lados. Os talentos autênticos que surgiam da várzea parecem estar desaparecendo. As crianças nas categorias de base são submetidas a uma cartilha rígida que desencoraja o drible e a individualidade, e quando surge um garoto com essas características, há um esforço imediato para moldá-lo a um estilo mais "compatível" com o que se espera no cenário atual.

O tempo é curto
Longe de mera questão nostálgica, se torna um desafio para o "País do Futebol". A afirmação de Romeu Krause, por mais dura que seja, reflete uma preocupação legítima sobre o futuro da Canarinha e a essência do nosso jogo. Resta a pergunta: será que ele não tem razão? Se não tomarmos medidas para resgatar nossa identidade futebolística e valorizar o talento em sua forma mais pura, corremos o risco de assistir a uma nova geração de grandes jogadores se perder em meio a um estilo que não nos pertence. O desafio está lançado, e o tempo é curto.

Sobre as eliminatórias
Pelas Eliminatórias, a Seleção Brasileira arrancou a vitória no minuto final, por 2x1, em cima da Colômbia. O resultado é importante, recoloca a Canarinha na vice-liderança, mas o futebol segue decepcionando. A ausência de um camisa 10 em campo foi evidente, com um time que vive de lampejos individuais, mas carece de criatividade e organização coletiva, com a defesa cometendo falhas preocupantes. A expectativa agora é por grande desafio na terça-feira, quando enfrenta a Argentina, fora de casa. Confronto que promete ser complicado e exigirá muito mais do que o time apresentou até agora.