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Sergey Bubka entra no túnel do tempo em Brasília

Lenda do salto com vara abre mostra na cidade e relembra apoteose nos Jogos de Seul-1988

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Rever o pôster dos Jogos Olímpicos de Seul 1988 trouxe muitas lembranças a Sergey Bubka. Maior atleta de salto com vara da história, o ucraniano, hoje com 51 anos, reviveu a sensação do ouro conquistado na Ásia. "Foi a competição mais excitante e mais difícil de toda minha carreira", recorda o hexacampeão mundial, que esteve em Brasília ontem para a abertura da exposição Esporte Movimento, na Caixa Cultural.

Com uniforme diferente daquele usado na época de atleta, ele assume no terno a postura de vice-presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF). Enquanto fala, no entanto, é possível ver o atleta que ainda vive em Sergey, ansioso por trunfos na modalidade. Dos 35 recordes que bateu ao longo da carreira, o último, do Campeonato Ucraniano em pista coberta (6,15m), perdurou por 20 anos. Somente no ano passado a marca foi superada, com um salto 1cm mais alto dado no ano passado pelo francês Renaud Lavillenie. "Eu não esperava que meus recordes durassem tanto tempo", diz, orgulhoso.

A quebra do recorde mundial de Segey Bubka foi emblemático. O francês Renaud Lavillenie superou a marca do ucraniano, em pista coberta, poucos dias antes de a marca de 6,15m completar 21 anos. O feito ocorreu em Donetsk, mesma cidade em que o salto havia sido alcançado em 23 de fevereiro de 1993 por Bubka. Além disso, a competição foi organizada pelo próprio Segey Bubka.

Vice-presidente da IAAF desde 2007, o ucraniano mantém os olhos atentos ao cenário brasileiro. Não à toa, indicou o antigo técnico, com quem conquistou seis mundiais ao longo da carreira, para auxiliar no trabalho da Seleção Brasileira. "Além de servir de exemplo para os nossos atletas, Sergey nos ajuda a encontrar consultores internacionais para nos ajudar na preparação. Foi assim que conseguimos trazer Vitaly Petrov para o cargo de consultor. Ele fez um trabalho incrível como técnico de Bubka e, hoje, nos ajuda na preparação de Fabiana Murer e de outros atletas do salto", avalia o presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), José Américo Fernandes.

Também reverenciada na abertura da exposição na Caixa Cultural, a atleta paralímpica mais rápida do mundo, Terezinha Guilhermina, não esconde a empolgação em encontrar o lendário Bubka. "É uma benção poder conhecê-lo agora, em um momento decisivo da minha carreira", conta a atleta. Em resposta ao elogio, o hexacampeão mundial deu conselhos à brasileira, dona de três ouros olímpicos: "Mantenha-se confiante, trabalhe duro e você terá muito sucesso no ano que vem. Sei o quanto o Brasil está bem representado por você".

Curador e dono do acervo da exposição, Roberto Gesta de Melo é um apaixonado pela história do esporte. A peça preferida da coleção formada há 40 anos está presente na mostra Esporte Movimento: uma pintura rupestre de 4.000 a.C. "São duas mil peças que passam pela história do esporte ao longo dos milênios", diz Roberto. A exposição reúne cartazes olímpicos, medalhas de provas históricas e uma ala voltada para o esporte brasileiro. A mostra fica em cartaz até abril na Caixa Cultural.

TRÊS PERGUNTAS PARA SERGEY BUBKA

Faz 26 anos que você conquistou o ouro olímpico. O que você recorda desse dia?
Lembro muito bem desse dia. Eu estava muito animado por poder competir nos Jogos, já que na edição anterior, em Los Angeles-1984, não pude participar por causa de um boicote do meu país. Mas foi uma competição muito difícil, a mais difícil de toda minha carreira. Felizmente, vi o meu sonho se tornando realidade.

Você indicou o seu antigo técnico Vitaly Petrov para ajudar na preparação do Brasil para as Olimpíadas do Rio. Em outras ocasiões, mencionou Fabiana Murer como um grande nome da modalidade. Como você vê esse momento do atletismo brasileiro?
É um bom momento porque tem um evento muito importante vindo, os Jogos Olímpicos aqui no Brasil. Acho que os atletas brasileiros estão se preparando muito bem, trabalhando pesado para terem sucesso na competição. Vejo que Fabiana (Murer) e todos atletas do salto farão uma grande participação. Estão motivados em dar alegria ao seu povo.

Seu recorde levou mais de 20 anos para ser quebrado. Você acha que o salto com vara passa por um período de seca?
Nós precisamos ter personalidades no esporte, pessoas que sejam heróis, que inspirem os demais. Mas não podemos ter ídolos todos os dias. Eu não esperava que meus recordes durassem tanto tempo, mas, agora, vejo uma evolução na modalidade. Renaud Lavillenie (novo recordista) recebeu o bastão para dar continuidade ao esporte. Acho que os atletas dão seu melhor, e eu estou confiante de que, em breve, teremos novas estrelas, novos campeões.

PROGRAME-SE
Exposição Esporte Movimento
Período: de 21/1 a 5/4
Horário: de terça a domingo, das 9h às 21h
Local: Caixa Cultural — Setor Bancário Sul, Quadra 4, lotes 3/4
Entrada: gratuita