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Estrutura de Copa, clima de Série D: Catar investe alto, mas não há público

País investe alto em complexos e também gasta contratando torcedores. Vinte brasileiros foram alugados pelo emirado para gritar pela seleção

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Em fase de preparação para receber a Copa do Mundo de futebol de 2022, o Catar está investindo alto em complexos esportivos. Para o Mundial de handebol masculino, neste mês, duas arenas luxuosas foram construídas - por valor estimado superior a R$ 1,3 bilhão - e não ficam devendo para nenhum dos grandes estádios de futebol do Mundo. Mas enquanto o dinheiro do petróleo garante que a Copa de 2022 terá algumas das melhores estruturas do mundo, o emirado tenta achar saída para a crise de público no país.



A meia hora do início da partida entre Brasil e Bielorússia, pela 3ª rodada do Mundial de handebol - e apenas 2h30 antes do jogo do Catar, seleção da casa, no mesmo ginásio -, a entrada principal do complexo esportivo mais parecia os arredores de um estádio prestes a receber a Série D do Campeonato Brasileiro. Poquíssimos torcedores circulavam na área e a tendência é de mais um dia com arquibancadas vazias no torneio.

Para tentar maquiar o problema, a organização do Mundial enviou convites, com passagens, hospedagem e alimentação pagas, para 20 torcedores de cada um dos 24 países que participam do torneio. No caso o Brasil, os convites foram enviados à Confederação Brasileira de Handebol (CBH), que selecionou os 20 torcedores de aluguel. Para animar as partidas da seleção da casa, os organizadores contrataram 60 espanhóis de uma organizada de Cuenca e os vestiram com trajes típicos para inflar a torcida do Catar.

“A tradição de esportes aqui ainda é muito fraca. Eles já receberam alguns eventos muito importantes, mas quase nunca tem torcida. Até dão ingresso de graça na maioria das vezes, mas nem assim dá muito público”, conta o aviador brasileiro Leonardo Guerra, que mora no emirado há mais de sete anos, por causa do trabalho. “Mas não é só esse o problema. Os costumes rígidos afastam muita gente também”, completa.



E o álcool?


Por causa dos costumes do islamismo, o país proíbe o consumo de álcool em áreas públicas até para os estrangeiros - que conseguem ter acesso à bebida apenas em alguns hotéis. Para a Copa do Mundo, em 2022, o país entrou em acordo com a Fifa para vender bebidas dentro dos estádios, mas fora deles a rigidez continuará e pode dar até prisão. Nesse Mundial de handebol, porém, as bebidas não são vendidas nem nos ginásios e é uma das principais reclamações dos torcedores.

“Esfriou bastante nesses dois últimos dias, né? Uma bebidinha ajudaria a aquecer”, brinca o francês Yennick Loir. “É muito diferente mesmo. Não há festas nas ruas, gente bebendo para celebrar a vitória. É bem difícil acostumar”, conta o torcedor da França, que não vê como um país “tão fechado pode fazer uma Copa de sucesso”. Ele esteve nos Mundiais da França, em 1998, e da Alemanha, em 2006, e explica que o clima é outro. “Não dá para comparar. As fesatas aconteciam nas ruas na Copa. Aqui, não tem nada disso. Vamos ver se até 2022 melhora.”