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Paratletas do Sport, deficientes visual e auditivo serão parceiros para corrida de São Silvestre
Ricardo Siqueira terá o amigo José Carlos como guia para tentar superar os 15 quilômetros da prova em São Paulo, no próximo sábado, dia 31 de dezembro
Paratletas do Sport, Ricardo e José Carlos irão disputar, pela primeira vez juntos, a mais tradicional corrida de rua do Brasil. Para chegar lá, a rotina de treinos é puxada. “Segundas, quartas e sextas-feiras trabalhamos só pernas na academia. Terças e quintas-feiras, é geral. E na esteira são 10, 15 quilômetros por treino”, afirmou Ricardo, que também é professor de judô. “O único cego que tem em Pernambuco”, orgulha-se. “Queremos terminar a prova em 1h20min. Esse é nosso objetivo”, acrescentou José Carlos.
Dançando frevo
Do ônibus ninguém com chances, nem ao menos mínimas, de vitória. Nenhuma grande estrela do atletismo nacional. O triunfo, porém, para o grupo de pernambucanos está em simplesmente participar da 92ª edição da prova. “Estou realizando um sonho em ir pela primeira vez à São Silvestre”, disse a corredora Mirian Miranda, 35 anos, experiente em corridas regionais. “Já tenho 26 medalhas, se o pessoal lá der brecha, eu chego na frente. Sou cabulosa”, brincou a pernambucana de Carpina, na Zona da Mata Norte.Recifense acostumada a percorrer os 15 quilômetros da São Silvestre, Ana Tereza vai para a competição pela oitava vez. Aos 47 anos, garantiu que faz o percurso com tranquilidade. “Faço é brincando, dançando frevo para o povo aplaudir”, disse. Sobre a viagem de ônibus, tem a receita para o tempo passar rápido. “Levo jogo, faço sorteio. Num instante passam essas duas noites e três dias”, afirmou. “Tudo é festa. O importante é viver esse momento de festa, receber a energia de todos. É inexplicável”, disse o carioca Jaílson Henrique, que mora há três anos no Recife e seguiu viagem no ônibus pernambucano.