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Vitória do Atlético sobre Seleção Brasileira no Mineirão faz 50 anos; relembre 'casos', curiosidades e a cobertura do jogo histórico
Equipe alvinegra, com o uniforme vermelho da Federação Mineira de Futebol (FMF), superou o poderoso time de Pelé, Tostão, Rivellino e Gérson em Belo Horizonte
Menos de um ano depois, a equipe de Pelé, Tostão, Gérson e Rivellino conquistaria o tricampeonato mundial no México e ficaria gravada no imaginário popular como um dos grandes esquadrões de todos os tempos. A noite no Mineirão, porém, era mesmo do Atlético, que findou uma sequência de 13 partidas de invencibilidade das ‘feras de João Saldanha’.
“Nós sabíamos que o Brasil era favorito. Mas eu falei uma coisa: eu conhecia até as minhocas do Mineirão. O Mineirão era minha casa, o meu quarto, o meu lar. Então, se alguém fosse levar vantagem, seria o Atlético, que estava acostumado a jogar no Mineirão”, conta o folclórico ex-centroavante Dadá Maravilha, segundo maior artilheiro da história alvinegra, com 211 gols.
Naquele jogo, o ídolo atleticano foi o responsável por fazer o gol da vitória, aos 19 minutos do segundo tempo. Antes, o ex-meio-campista Amauri Horta abriu o placar para o Atlético numa finalização de fora da área, ainda no primeiro tempo. Pelé, em posição de impedimento, marcou para a Seleção Brasileira.
“Nós jogamos bem desde o início. Não foi um caso de falar que era uma coisa absurda chegar ao final do primeiro tempo e estarmos ganhando de 1 a 0. Depois, no segundo tempo, tivemos força para suportar um gol de empate do Pelé e buscamos o gol da vitória com Dario”, relembra Amauri.
Favoritismo canarinho
Mais de 70 mil torcedores foram ao Mineirão naquela noite. O público, que a versão atual do estádio não comporta, ficou aquém do esperado pelo clube alvinegro. “O Atlético não encontrou justificativa para o pequeno interesse do público pelo jogo. Quase 50 mil ingressos deixaram de ser vendidos, impedindo que o Atlético tivesse muito lucro com a promoção”, lê-se no EM.
Em campo, os destaques do Atlético foram os autores dos gols - Dadá e Amauri - e o goleiro Mussula, efetivo em parar o poderoso ataque rival. Na análise publicada no EM, o resultado serviu para identificar problemas na zaga do Brasil: “A importância da vitória do Atlético comprovou que a defesa da Seleção Brasileira não está bem”.
“Não é que foi para atrapalhar a Seleção Brasileira a gente ganhar (risos). A gente ia ganhar porque a gente tinha um time bom, diversos jogadores. Tinha uma equipe boa. Na frente, o Vaguinho era extremamente rápido, o Tião vinha pelo meio do lado esquerdo para ajudar”, conta Amauri.
Durante o jogo, a expulsão do lateral-direito Carlos Alberto, da Seleção Brasileira, fez com que o Atlético melhorasse de rendimento. No fim, triunfo dos donos da casa por 2 a 1 e festa grande no Mineirão.
“Foi uma loucura, pois ganhamos de uma seleção que estava invicta. Era uma seleção fantástica, tanto que foi campeã do mundo e é considerada até hoje a maior seleção que o mundo já viu”, comemora Dadá, que fez Yustrich chorar ao ver o gol da vitória.
A vitória atleticana rendeu elogios aos montes. Ex-colunista social, Jacinto de Thormes cravou: “O Atlético não é um clube - é quase um país. Pois até parece que o Brasil enfrentou uma poderosa nação futebolística: a República do Galo”.
Ficha do jogo
ATLÉTICO 2 X 1 SELEÇÃO BRASILEIRA
Atlético
Mussula; Humberto Monteiro, Grapete, Normandes (Zé Horta) e Cincunegui (Vantuir); Oldair e Amauri Horta (Beto); Laci; Vaguinho, Dario e Tião (Caldeira)
Técnico: Yustrich
Seleção Brasileira
Félix; Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel e Rildo (Everaldo); Piazza e Gérson (Rivellino); Jairzinho, Tostão (Zé Maria), Pelé e Edu (Paulo César)
Técnico: João Saldanha
Motivo: Amistoso
Estádio: Mineirão
Data: 3 de setembro de 1969
Árbitro: Amílcar Ferreira
Assistentes: José Assis Aragão e João Alberto Teixeira
Público: 71.433 pagantes
Gols: Amauri (42) e Dario (65) para o Atlético; Pelé (50) marcou para a Seleção Brasileira