{{channel}}
Ousadia histórica
Aposta em técnico inexperiente não é prática nova no Cruzeiro, que já na primeira metade do século 20 efetivou ex-jogadores sem passagem como técnico, como faz agora com Deivid
O técnico com maior número de jogos no comando celeste na história, por exemplo, é Ílton Chaves, que teve a primeira chance pouco depois de pendurar as chuteiras. Ele assumiu o time em 1970, quando não foi tão bem. Mas retornou em 1972 e acabou tetracampeão mineiro. Ainda teve outras duas passagens, completando 389 partidas.
O último a ter oportunidade em situação semelhante foi Paulo César Gusmão, que, em fevereiro de 2004, substituiu Vanderlei Luxemburgo, de quem era auxiliar técnico. Ele acabou campeão mineiro naquele ano, mas a eliminação nas oitavas de final da Copa Libertadores, em maio (ao ser derrotado nos pênaltis pelo Deportivo Cali, em pleno Mineirão), provocou sua demissão. Retornou em julho de 2005 e no ano seguinte ergueu a taça do Estadual, mas a campanha irregular no Campeonato Brasileiro mais uma vez provocou sua queda.
Antes dele, outros treinadores sem experiência pouco duraram no comando celeste, casos de Raul Plassmann, Jair Bala e Moraes. Eles treinaram o time em oito, 38 e 35 jogos, respectivamente. Mas essa prática é ainda mais antiga na história cruzeirense. Ainda na primeira metade do século 20, dois ex-jogadores celestes começaram a carreira de treinador no clube: Niginho, terceiro maior artilheiro da história da Raposa, com 207 gols; e Bengala. Ambos levaram a equipe a títulos mineiros.
ESTUDIOSO Além dos exemplos “caseiros”, a diretoria do Cruzeiro se inspirou em experiências internacionais para confirmar o ex-atacante Deivid como substituto de Mano Menezes. “Temos inúmeros casos de treinadores que assumiram grande clubes e se deram bem sem grande experiência. Foi assim com Pep Guardiola (no Barcelona) e com André Villas Boas (no Porto). O Valencia anunciou Neville, que não era treinador”, diz o diretor de futebol Thiago Scuro, para quem o mais importante é o clube ter uma projeto definido e apostar em alguém que consiga colocá-lo em prática. “É assim que vamos conseguir fazer o Cruzeiro ser forte por 15, 20 anos.”
Além de ter sido jogador, Deivid vinha estudando futebol desde 2007, tendo concluído este mês mais um módulo do curso de técnicos da CBF. Ele tem a seu favor o fato de conhecer bem tanto o Cruzeiro, do qual foi jogador e auxiliar, quanto o grupo de jogadores, com os quais trabalha desde junho. Agora, Deivid espera que o clube contrate os reforços necessários: “Temos de ter um conceito do futebol, saber a história do clube. O Cruzeiro tem em sua trajetória jogadores como Tostão, Alex, Éverton Ribeiro. Não adianta trazer jogador que só marca. Temos de buscar quem se encaixa no perfil”.