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Atraso que virou descaso: inauguração do estádio Grito da República foi adiada pela quarta vez

Última promessa era setembro, agora novo prazo dado é dezembro de 2015

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[GALERIA1]“Quero ver, no final de dezembro, no Natal, essas arquibancadas lotadas com crianças das nossas escolas e o helicóptero descer aqui com o Papai Noel.” Esta frase, proferida pelo prefeito de Olinda Renildo Calheiros (PCdoB), é de abril de 2014 e se referia ao Natal do ano passado. Mas poderia ser repetida agora, em agosto de 2015. Isso porque as arquibancadas a que o mandatário olindense se refere são as do estádio Grito da República, em Rio Doce. Praça esportiva que não só não foi inaugurada em dezembro de 2014, como acaba de conhecer seu mais novo prazo de inauguração. O quinto, contando com o primeiro adiamento, em 2012. A mais recente promessa é que de dezembro, de 2015, não passa.


A afirmação é do secretário executivo de obras do município, João Batista. O servidor garante que, salvo uma “situação adversa”, a meta do prefeito Renildo Calheiros é, finalmente, “estar com o estádio concluído até o fim de 2015”. Esta, por sinal, já é a terceira data estimada pelo poder público olindense somente neste ano. Em março, a expectativa indicava que o Grito da República seria libertado entre agosto e setembro. Dois meses depois, em maio, já havia passado para o fim de setembro. Em agosto, a mais recente promessa: dezembro. De 2015, espera-se.


A reportagem do Superesportes voltou a visitar as obras do estádio na última terça-feira, 11 de agosto. O intuito era ver a evolução da construção, a fim de conferir se os prazos estipulados pelo engenheiro responsável, Antônio Teixeira, em maio, estavam sendo cumpridos. O que se pôde ver foi uma evolução a passos lentos. E o total descumprimento de todas as datas estipuladas. Nada do que deveria estar pronto, segundo o cronograma de três meses atrás, havia sido concluído. Gramado, cobertura da arquibancada central, instalação dos postes de refletores. Nenhuma etapa vencida.

Sobrou para a chuva
De acordo com o secretário João Batista, o baixo número de operários na obra - 15 no dia em que a reportagem visitou o estádio, 37 em média, de acordo com os dados oficiais - não justifica o atraso. “Eu procuro ver pelo lado da tipologia do serviço. É notório que a gente tem tido um problema sério de chuvas. E a maioria dos serviços - fora o acabamento - são externos. E em época de chuva a gente não consegue trabalhar. A empresa não vai colocar gente para ficar quantitativamente e não ter serviço para poder abrir frente”, justificou.


Então, seriam apenas as chuvas a razão para mais um adiamento? “Naquele estádio a gente tem quatro contratos de obra, que foram obtidos no Ministério do Esporte. Em cada contrato desse você tem determinados serviços. Existe uma certa dificuldade na condução do procedimento administrativo. Nós temos essa burocracia, que cria um retardo”, acrescentou.

Descrença vs. propaganda
Tantos adiamentos geram, naturalmente, um sentimento de desconfiança por parte do cidadão. Em maio, a reportagem ouviu algumas pessoas no entorno do estádio. Nenhuma delas acreditava que a obra ficaria pronta em setembro. “Setembro? Só se for do ano que vem”, duvidara o marceneiro Josias Manoel da Silva, 54 anos, sem acreditar na previsão de inauguração.


A incredulidade de Josias Manoel acabou por se concretizar, uma vez que a inauguração passou para dezembro deste ano. Mas o pastor Ubirajara Chagas, 48, não parece acreditar na nova promessa. “Espero que um dia meus tataranetos vejam este estádio pronto”, ironizou.


Vale ressaltar que a prefeitura já tem veiculado propaganda enaltecendo a construção do estádio. Para o secretário João Batista, tal instrumento político não se contradiz com o sentimento das ruas. “Se nós também marcássemos para levar pessoas que vão dar um testemunho do que o estádio vai proporcionar, aí a gente vai ter o sentimento. Após a conclusão da obra, nós vamos usar o estádio para outras atividades. Neste momento, talvez, o olhar de quem você fez a entrevista, não tem conhecimento do que a gente vai propor para aquele estádio.”


CUSTOS
Redução mínima
Até maio deste ano, a informação era de que o estádio custaria R$ 10.545.712,63. O valor baixou. Um pouco, mas baixou. Agora, segundo João Batista, a obra está orçada em R$ 10.415.468,95. Deste montante, R$ 3.115.468,95 como contrapartida do município de Olinda. “Quando eu dei uma estimativa em 2013, a gente ainda precisava ter o valor da iluminação. Por isso, o valor, hoje, está nesta ordem, determinado e contratualmente firmado até o fim de dezembro.”

 

Os prazos

EM MARÇO
maio
colocação do gramado

junho/julho
instalação da cobertura da arquibancada central

julho/agosto
instalação dos postes de iluminação e refletores

agosto/setembro
inauguração do estádio

EM MAIO
junho
colocação do gramado

junho/julho
instalação da cobertura da arquibancada central

julho/agosto
instalação dos postes de iluminação e refletores

fim de setembro
inauguração do estádio

EM AGOSTO
a partir de setembro
vai ser iniciada a instalação da cobertura da arquibancada central

fim de outubro
colocação do gramado

fim de novembro
instalação dos postes de iluminação e refletores

20/25 de dezembro
inauguração do estádio