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Banda de Pau e Corda comemora as cinco décadas de trajetória em show no Teatro do Parque
Com o mote “Música para matar a fome”, os pernambucanos da Banda de Pau e Corda realizam turnê pelo país em comemoração aos 50 anos de estrada. No Recife, o show será sábado, às 19h, com ingressos trocados por 1 quilo de alimento. O grupo, com a iniciativa, mais uma vez chama a atenção para a pobreza e a desigualdade, temas recorrentes nas letras desde o surgimento, como cantam em Missão do cantador: “Porque na voz do cantador/ Tem água pra matar a sede/ Tem pão para matar a fome/ Tem chave pra guardar segredo/ E abrigo pra quem não tem nome”.
Missão do cantador também é o título da turnê e do disco de inéditas lançado em 2021, que marcou o início das comemorações pelas cinco décadas de trajetória. “As músicas da Banda de Pau e Corda, desde o início, são um retrato da nossa vivência e sempre tiveram também um cunho social”, afirma o vocalista Sérgio Andrade.
Quando lançou Missão do cantador, o grupo refletiu bastante sobre qual seria essa tal missão e, nos versos, abordou a fome. “Hoje, mais do que nunca, é um tema muito atual, pois voltou com muita força. Então a gente pensou em colocar em prática o que sempre abordou nas canções”, explica Sérgio.
Adiada por causa da pandemia, a turnê estreou em Belo Horizonte e, além do Recife, tem datas confirmadas em Caruaru, Garanhuns, João Pessoa e São Paulo entre abril e maio. Na capital paulista, contarão com a participação de Zeca Baleiro, um dos convidados do álbum, além de Chico César, Mestre Gennaro e Marcello Rangel.
CAPA DE ELIFAS
A capa do disco mais recente traz a última parceria com o artista gráfico Elifas Andreato, também autor da icônica ilustração de Arruar (1978) e outros trabalhos junto ao grupo. Elifas, que deixou uma obra de mais de 360 capas de discos, de nomes como Chico Buarque, Elis Regina e Paulinho da Viola, faleceu no dia 29 de março, aos 76 anos, vítima de um infarto.
Lançado pela Biscoito Fino e com produção musical de José Milton, Missão do cantador reforça a verve poética que uniu os jovens artistas nos anos 1970 no intuito de criar uma música popular brasileira com referências às vivências sonoras, imagéticas e existenciais do Nordeste.