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Moraes Moreira tinha dois projetos musicais solos e livros para lançar

Moraes Moreira tinha alguns projetos em andamento antes de morrer. Reco do Bandolim, do Clube do Choro, conta que ele havia revelado, em dezembro do ano passado, durante um almoço, a intenção de fazer um show sob o tema da inveja, aquela "inveja boa". A ideia era fazer uma seleção de músicas de grandes autores, aos quais Moraes tinha admiração profunda. "Seria um show em homenagem à inveja, com canções que ele tinha o prazer de cantar, que gostaria de ter feito", revela.
O projeto já tinha até nome: Elogio à inveja, como adiantou ao Correio Braziliense, em dezembro do ano passado. Ele revisitaria clássicos da obra de mestres da MPB tradicional, como Noel Rosa, Braguinha, Ary Barroso, Erivelto Martins e Luiz Gonzaga e dos contemporâneos Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Roberto Carlos.
No início deste ano, Moraes havia revelado em entrevista ao Uol e ao jornal O Globo que tinha um projeto com 20 músicas inéditas, além de um livro com poesias e cordéis. Também confirmou em fevereiro que havia um contrato para a gravação de mais um disco dos Novos Baianos e de uma nova turnê. Em 2017, o grupo rodou o Brasil em turnê comemorativa de 45 anos que passou, inclusive, por Brasília, com show no Ginásio Nilson Nelson para mais de 5 mil pessoas.
Dias antes da morte, o artista mostrava que estava bastante ativo artisticamente. Nas redes sociais, compartilhou que estava aproveitando o período de isolamento para escrever e tocar. Inclusive, divulgou um cordel intitulado Quarentena, em que dizia temer a pandemia, aproveitou para citar outras mazelas do Brasil e tecer críticas com o jeito poético e popular que sempre demonstrou nas obras musicais e literárias.