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Pernambucana Alessandra Leão lança websérie com mestres da cultura popular

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Foto: Luan Cardoso/Divulgação
Alessandra Leão e Odete de Pular.
O interessante trajeto de Alessandra Leão na cultura popular pernambucana, nordestina e brasileira encontrou uma nova etapa. Conhecida inicialmente como integrante da banda Comadre Fulozinha, que explorava cantigas e ritmos da região, a cantora, compositora e percussionista tem sido um nome importante no resgate de tradições, raízes e ancestralidades no contexto da música nacional. A turnê do álbum Macumbas e catimbós (2019), indicado do Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Raiz em Língua Portuguesa, ainda está em pleno vapor. Ainda assim, a artista iniciou um novo projeto: a websérie Acesa, composta por 15 episódios que acompanham encontros com mestras, mestres, músicos e líderes religiosos, ligados às tradições do coco, ciranda, maracatu de baque solto, jurema, umbanda e candomblé.

O projeto foi viabilizado através do edital do Rumos Itaú Cultural e também faz parte do processo criativo do próximo álbum de estúdio de Alessandra Leão. Os vídeos serão sempre disponibilizados às quartas-feiras, no YouTube e no site oficial da artista (alessandraleao.com.br). O primeiro capítulo foi publicado na última quarta (4), com a mestra paraibana Odete de Pilar, que aprendeu a cantar ciranda e coco de roda ainda criança, e hoje é uma das principais vozes da cultura popular paraibana. Depois de Odete, serão lançados os capítulos com a também paraibana Ana do Coco. Em seguida, os pernambucanos Mestre Galo Preto, Pai Cacau, Paulinho Carrapeta, Alexandre L’omi L’òdo, Mãe Beth D´Oxum, Nilton Jr, Guitinho da Xambá, Babalorixá Ivo de Oxum, Mestre Barachinha e Nega Duda, e os paulistas de Guarulhos Pai Luiz Soliano e Mãe Marilda Soliano.


A inspiração para o Acesa surgiu quando Alessandra teve contato com o livro Cidade passo - Conversações entre arte, design e etnografia, da artista visual Vânia Medeiros. Ela reuniu um grupo formado pelo músico, arranjador e produtor Caçapa, o cineasta Luan Cardoso, a atriz e dramaturga Luciana Lyra, além da própria Vânia. “Notei que o livro falava muito sobre um caminho à deriva. Me questionei sobre qual a relação que tínhamos com a cidade, com o espaço e o que nos acendia”, diz Alessandra, em entrevista ao Viver.

"Eu inscrevi o Acesa no edital antes de começar a produzir o Macumbas e catimbós. No começo, queríamos conversar com cinco pessoas. Fomos nos animando e chegamos em 15 mestres. Na primeira etapa, entre Pernambuco e Paraíba, fizemos 11 entrevistas em 10 dias. Foi intenso de várias maneiras, seja fisicamente ou emocionalmente. Já existe uma intensidade subjetiva em cada personagem, porém o momento de gravação necessita de uma escuta muito atenta para entrar em trajetos e lugares que não são meus. Cada convidado abre um universo, um monte de coisas diferentes. Foram dias de um mergulho muito profundo".

Para Alessandra, o momento de ouvir, dialogar e compartilhar essas vivências é necessário diante de "tempos sombrios e difíceis". "Como é que ‘acendemos’ os outros, sobretudo em tempos de dureza? O que ficou mais forte nessa imersão é que a música salva. O que a gente sente os outros, o que escutamos dos outros nos faz caminhar de outra maneira."

MACUMBAS E CATIMBÓS
A turnê com o álbum Macumbas e catimbós passou pelo Recife no dia 29 de janeiro, com um show no Teatro de Santa Isabel. "Foi lindo lotar o teatro, ouvir as pessoas cantando, ainda mais colocando 27 pessoas em palco, integrantes de diferentes linhas diferentes de catimbós, de vários terreiros", afirma Alessandra Leão. Sobre a indicação ao Grammy Latino, a pernambucana descreve como algo inesperado". "Foi algo totalmente inusitado, ainda mais com um disco sobre esse assunto, de apenas voz e percussão. São vários simbolismos inesperados que tem me dado muitas alegrias no processo todo."

Ouça o álbum Macumbas e Catimbós: