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Quadrilheiros pernambucanos celebram primeira mostra de juninas no estado

O evento contou com a participação de grupos da Região Metropolitana do Recife e arrecadou 1,5 tonelada de alimento para doar em instituições sociais

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Junina Zabumba, proponente da Mostra. Foto: Samuel Calado/Esp.DP


O Ginásio de Esportes do Santa Cruz Futebol Clube, no bairro do Arruda, na Zona Norte do Recife, recebeu na noite do último sábado (26), a primeira edição da Mostra de Quadrilhas Juninas de Pernambuco. O evento contou com a participação de grupos da Região Metropolitana do Recife e uma convidada da Paraíba, a Quadrilhando sobre Rodas, composta por integrantes cadeirantes. Além de fortalecer o movimento cultural, o objetivo da festividade esteve em oferecer mais uma prévia no calendário junino do estado e promover a solidariedade. 

Todas as pessoas que foram prestigiar a festividade, doaram um quilo de alimento não perecível para ajudar as instituições Hospital do Câncer, Abrigo Cristo Redentor e Grupo de apoio a portadores de DST/AIDS. Segundo o presidente da Federação das Quadrilhas Juninas (FEQUAJUPE), Antônio Amorim, o grupo conseguiu arrecadar 1,5 tonelada de alimento. “Em um único espaço, conseguimos unir cultura, companheirismo e inclusão social. O sucesso foi tão grande que já estamos planejando o segundo projeto da mostra, previsto para acontecer no dia 25 de maio de 2019”. 


Após a apresentação da quadrilha paraibana, foi a vez da Origem Nordestina, do Morro da Conceição. O grupo mostrou um pouco do espetáculo Rainha, o casamento de Oxum, que abordou a religiosidade de matriz africana, contando a história dos orixás Oxum (deusa da beleza, do amor e da fertilidade) e Xangô (divindade da justiça e do fogo).

O quadrilheiro Heber Tavares, explicou que o trabalho foi fruto de uma longa jornada de ensaios. “Iniciamos os preparos em Outubro do ano passado e divulgamos o tema em uma festividade da comunidade. Acredito que é preciso denunciar a intolerância religiosa e o racismo. O nosso povo tem sangue negro e nós devemos muito aos ancestrais pelo país que temos”. 

Em seguida, se apresentou no forródromo a Junina Lumiar, que trouxe o tema Na festa de Santo Antônio, solteira é que não fico. O grupo do Pina, na Zona Sul do Recife, retratou a garra e a homenagem ao santo católico conhecido como casamenteiro.
  
Comandados pela voz do marcador e presidente Fábio Andrade, os brincantes iniciaram o espetáculo cantando:  Mas é preciso ter fé e na oração confiar em nosso padroeiro acreditar que a sua causa irá alcançar, emocionando o público que assistia sem pestanejar. A Lumiar tem a fama de marcar o ciclo junino com canções autorais, escritas pelo diretor musical Léo Marques. 

Logo após, foi o momento da Raio de Sol rogar por São José pedindo um plantio germinador com o tema Ventre, chão, Sagração. A junina de Olinda evidenciou o amor pela terra e a importância da agricultura para os brasileiros, pedindo à santidade uma colheita farta e vida em abundância. O bailarino Arylson Matheus, um dos componentes da quadrilha, relatou que ela sempre busca evidenciar em seus espetáculos a tradição e o amor que os nordestinos possuem pela sua cultura e sua identidade. “Sou apaixonado pela dança popular e conto os segundos para o São João começar”. 
 
Depois da Raio, entrou em cena a Junina Tradição. O grupo do Morro da Conceição, Na Zona Norte do Recife, trouxe a alegria do São João em Saruê, tendo como marcador o educador físico e professor de dança Bruno Henrique.

O estudante de Administração, Daniel Soares, contou que quadrilha é sinônimo de união e confraternização. “Nós lutamos para que este ciclo seja tão importante. E a resistência não é somente no mês de junho, mas nos 365 dias do ano”. 

A penúltima da noite foi a Quadrilha Zé Matuto, de São Lourenço da Mata, que denunciou a corrupção no país através do tema “Na cultura brasileira, Quadrilha só de São João”. 

A festividade fez parte do primeiro projeto aprovado no Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), considerado pelos quadrilheiros uma grande conquista para o movimento no estado. A proponente e anfitriã da atividade foi a Junina Zabumba, de Camaragibe, que encerrou o ciclo de apresentações da noite com a estreia do espetáculo “Triângulo Amoroso”.

Com quase duas décadas de existência, o grupo composto por 130 componentes retratou a história dos trios que envolvem o ciclo junino, passando pela religiosidade, musicalidade e relacionamentos. Após as apresentações das juninas, as bandas Marquinhos Balada, Michele Melo e os MCs Dread e Danilo Bolado comandaram a noite no
ginásio. 

Mais uma conquista
Além da conquista em ter um projeto aprovado em um edital estadual, os quadrilheiros pernambucanos comemoraram no último dia 09 de maio de 2018, o anúncio da subvenção realizado pela Prefeitura do Recife, que possibilita aos grupos o recebimento de verba municipal para montagem dos espetáculos.  

Confira a cobertura do DIARIO nas redes sociais: 

1. Quadrilha Origem Nordestina (Rainha, O casamento de Oxum)