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Dia do Quadrinho Nacional celebra produção autoral brasileira
Data celebra a estreia daquela que é considerada a primeira HQ do país, publicada em 30 de janeiro de 1869

Já se foram quase 150 anos desde o surgimento daquela que é considerada a primeira história em quadrinhos brasileira: As aventuras de Nhô Quim ou impressões de uma viagem à corte, cuja publicação foi no dia 30 de janeiro de 1869. Escrita e desenhada por Angelo Agostini, italiano radicado no Brasil, a série é considerada um marco para o gênero no Brasil e a data de estreia foi escolhida para ser o Dia do Quadrinho Nacional, celebrado nesta terça-feira.
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De Agostini, hoje nome do prêmio concedido anualmente pela Associação dos Quadrinhistas e Cartunistas do Estado de São Paulo, para os dias de hoje, muita coisa mudou e evoluiu no quadrinho brasileiro. A Turma da Mônica, originária de tiras publicadas a partir de 1959, segue como sinônimo de HQ brasileira para muita gente e é responsável por uma fatia expressiva do mercado nacional. Mas a criação de Mauricio de Sousa passa longe de sintetizar a produção brasileira. Aproveitando a efeméride, listamos aqui marcos e curiosidades da nona arte no Brasil.
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PIONEIRA NO TERROR
Pouco conhecida entre gerações mais novas, Garra cinzenta fez expressivo sucesso nos anos 1930 e é tida por muitos como a primeira HQ de terror do país. Publicada de 1937 a 1939, circulava no suplemento A gazetinha, do jornal A Gazeta. A trama acompanhava a jornada do investigador Higgins em busca do Garra Cinzenta, vilão cientista responsável por experimentos genéticos e outros crimes. O título alcançou popularidade o bastante para ser publicado na França e Bélgica. Simples e até ingênua, a trama da HQ pode soar pueril nos tempos atuais, mas era bastante original para a época. Alguns estudiosos sugerem até que o Garra inspirou personagens mundo afora, como os italianos Kriminal e Satanik e o norte-americano Caveira Flamejante, da Marvel, cujo uniforme e visual se assemelham bastante à criação brasileira. Desenhada por Renato Silva (1904-1981), a história tinha roteiro de Francisco Armond, pseudônimo de autor até hoje desconhecido.
NACIONALIZAÇÃO E CENSURA
Semelhante ao que ocorre hoje no audiovisual, o governo chegou a adotar medidas para incentivar o mercado local de HQs. Em 23 de setembro de 1963, João Goulart assinou o decreto-lei nº 52.497, com o intuito de criar reserva de mercado para a produção brasileira. As editoras seriam obrigadas a manter uma proporção mínima títulos do país: 30% em 1964, 40% no ano seguinte e 60% a partir de 1966. O decreto fazia restrições, como proibição de sexo, sadismo ou mensagens de caráter ideológico. O livro A guerra dos gibis (Cia das Letras, R$ 67,90), de Gonçalo Junior, relata que a iniciativa dividiu opiniões e nunca foi posta em prática. Em 1965, foi sancionado um projeto de lei que proibia a impressão e circulação de revistas de crime, terror ou violência.
%2b Gibis
A denominação gibi, como são popularmente chamadas as HQs no Brasil, remonta a 1939. Era o nome da revista semanal lançada por Roberto Marinho (1904-2003), um dos responsáveis pela popularização de títulos dos EUA no Brasil. O termo era usado pejorativamente a partir dos anos 1940, quando o meio foi associado à delinquência juvenil.
Catecismos
Um dos nomes mais produtivos da HQ nacional atuou anonimamente entre os anos 1950 e 1980. Carlos Zéfiro, pseudônimo do carioca Alcides Caminha (1921-1992), publicou estimadas 600 historietas eróticas vendidas clandestinamente por décadas. Alvo de investigações da Polícia Federal e da ditadura militar, teve a identidade descoberta em 1991, por Juca Kfouri.
Imperdíveis // Uma lista de quadrinhos brasileiros contemporâneos que merecem leitura
Quadrinhos A2, de Cristina Eiko e Paulo Crumbim
O cotidiano do casal de quadrinistas é recontado com uma pitada de fantasia e exagero na série Quadrinhos A2. Cheia de referências pop, a série, atualmente no quinto volume, tem estética que bebe dos quadrinhos japoneses e explora o humor das situações corriqueiras.
Tungstênio, de Marcello Quintanilha
Premiado em 2016 no Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, na França, tem uma história policial ambientada em Salvador, na Bahia. A trama, que envolve um ex-sargento, um traficante e um policial e sua esposa, vai ser transformada em filme, dirigido pelo pernambucano Heitor Dhalia (O cheiro do ralo).
Dora, de Bianca Pinheiro
Mais conhecida pela leve e colorida webcomic Bear, a quadrinista tem forte veia para o gênero horror. Contada sob ponto de vista da mãe da personagem-título, a quem se atribuem 15 mortes. A história da garota é contada em paralelo aos assassinatos, a partir de depoimentos colhidos por um detetive de política.
Laços, de Lu e Vitor Cafaggi
Uma das melhores HQs da Turma da Mônica é, na verdade, uma releitura dos personagens. Ainda que fiéis à criação de Mauricio de Sousa, os irmãos trazem uma visão mais madura da turminha, em uma aventura bastante sentimental e delicada. Vai também virar filme com atores em 2018, com direção de Daniel Rezende.
Morro da Favela, de André Diniz
Biográfico, o título conta a trajetória de Maurício Hora, fotógrafo e morador do Morro da Providência, no Rio de Janeiro. Além dos aspectos pessoais do personagem, a graphic novel explora questões típicas da favela, como conflitos entre polícia e bandidos e os contrastes entre o morro e o chamado asfalto.
Monstros!, de Gustavo Duarte
Sem balões de falas, mostra uma invasão de monstros à cidade de Santos, em São Paulo. O surgimento das criaturas se dá sem explicações, tal qual no cinema de monstros japonês, cujo expoente é Godzilla. Enquanto a população corre para se salvar, um velho pescador, Pinô, resolve encarar os bichos gigantes.
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