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Pernambuco esqueceu do centenário do filho ilustre Chacrinha
Abelardo Barbosa será lembrado com medalha da Casa da Moeda, filme e nova turnê da peça Chacrinha - o musical
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Miguel lembra que Chacrinha sabia como agradar o público e era extremamente competitivo. “Uma vez, estávamos em um hotel e eu disse que ele era superado na audiência pelo programa do apresentador Jota Ferreira, que eu dirigia. Ele soltou um palavrão bem alto, pois não aceitava a possibilidade de alguém ter mais Ibope. Depois, também conheci o irmão dele, o produtor Jarbas Barbosa”. O ator, radialista e pesquisador fonográfico Renato Phaelante teve sua cota de convivência com Chacrinha. “Na época em que Chacrinha foi para o Rio de Janeiro, o futuro dos artistas estava no Sul, mas Pernambuco avançou bastante nesse sentido até o início dos anos 1960, época na qual o estado era o terceiro polo televisivo do país. Ele veio ao Geraldão no início dos anos 1970 e a produção era local, então passavam artistas tanto do Sul quanto locais. Eu conheci Chacrinha e ele colocou, inclusive, meu filho no colo. O povo quis entrar na minha casa e foi um tumulto, até derrubaram o muro”, recorda.
Em Pernambuco, o centenário parece passar em branco. Em Surubim, não há monumento a lembrá-lo. Foram feitas comemorações pontuais, como o tributo no carnaval e na emancipação da cidade, em 11 de setembro. O município teve, por anos, o Museu Histórico de Surubim, dirigido por Mariza Barbosa, com itens do acervo de Chacrinha, como roupas, mas foi desativado em 2002. O empresário João Batista de Souza Neto, que mantém acervo do comunicador, tinha decorado o Hotel Cristal, de sua propriedade, com fotos de Abelardo, mas teve de retirá-las após pedido da família de Chacrinha.
MAIS CHACRINHA
A proximidade do centenário fez a memória de Chacrinha ganhar ainda mais homenagens. Há cerca de dois anos, estreou Chacrinha, o musical, com roteiro de Pedro Bial e Stepan Nercessian como protagonista. A peça virá pela terceira vez ao Recife em 20 e 21 de outubro, no Teatro Guararapes.
Stepan protagonizou um filme sobre a trajetória do comunicador, com filmagens previstas para começar em outubro, e comandou o especial Chacrinha: O eterno guerreiro, exibido pelo canal Viva e pela Globo em agosto. “Ele era o antídoto da mesmice e isso ainda mexe com as pessoas de uma forma impressionante. (...) Sempre faço a ligação de Chacrinha com Abelardo, o nordestino que veio ao Rio e venceu, com garra e disposição para o trabalho”, afirma o ator.
A Casa da Moeda lança neste sábado medalhas comemorativas, com rosto do apresentador de um lado e a imagem de um abacaxi do outro. Ele será lembrado pela escola de samba Grande Rio em 2018, que elegeu Chacrinha como tema do samba-enredo Vai para o trono ou não vai?. Leleco lamenta o governo de Pernambuco não ter apoiado financeiramente o desfile. “Ficou uma mágoa grande, pois ele sempre prestigiava Pernambuco no carnaval, mas o enredo não vai deixar de citar Recife e Surubim”.
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