Indicado ao Oscar, Lion: Uma jornada para casa é uma emotiva história baseada em fatos reais
Filme erra a mão ao tentar extrair mais comoção em situações já naturalmente dramáticas

Algumas das histórias mais interessantes de se acompanhar são frutos não da imaginação, mas da realidade. Em cartaz nos cinemas, Lion: Uma jornada para casa é um daqueles dramas baseados em episódios verídicos que chama a atenção por lembrar o quão improváveis e surpreendentes podem ser os acontecimentos da vida de pessoas comuns.
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Indicado a seis categorias no Oscar, incluindo Melhor Filme, o longa adapta para as telas o livro autobiográfico Uma longa jornada para casa (Record, 224 páginas, R$ 34,90), de Saroo Brierley. De origem humilde, o autor indiano se desencontrou da família aos 5 anos de idade, ao sair de casa com irmão Guddu em busca de trabalho para auxiliar a mãe nas despesas do lar.
Perdido em uma estação ferroviária, Saroo acaba dormindo em um vagão e acorda com o trem em movimento, desembarcando em Calcutá, a 1,6 mil quilômetros da cidade natal. Ao desembarcar, o garotinho ainda enfrenta o desafio de não conseguir se comunicar com quase ninguém, por falar apenas hindi e não compreender bengali, o idioma local.
A história consegue fisgar o espectador nos primeiros minutos de projeção pela cativante performance de Sunny Pawar (Saroo) e Abhishek Bharate (Guddu), que convencem como irmãos. Com mais tempo em tela, o estreante Sunny se sobressai e, por conta do carisma, ajuda a tornar mais palatável a dramática jornada em que o personagem embarca.
Veja o trailer:
O pequeno ator não é o único da produção debutando no cinema: o diretor, o australiano Garth Davis, tem carreira consolidada na direção de comerciais e algumas passagens pela televisão. É uma boa estreia, embora nada se sobressaia em particular. A estrutura do filme é convencional, vista com frequência em dramas inspirados em acontecimentos verídicos.
A narrativa é linear e a direção parece, em alguns momentos, não acreditar no potencial dramático de algumas passagens, apelando para a trilha excessivamente emotiva e uma câmera que busca mostrar somente o aspecto mais miserável e pobre da Índia. Soa tendencioso a partir da segunda metade do filme, quando Saroo é adotado por um casal australiano, interpretado por David Wenham e Nicole Kidman. Enquanto praticamente todos os personagens indianos alternam entre a indiferença e a crueldade em relação a Saroon, o núcleo da Austrália é mostrado de maneira bem mais benevolente e cordial.
A metade final da trama se dedica à jornada para casa explicitada no subtítulo nacional do filme. Saroon já adulto, vivido pelo eficiente Dav Patel (indicado ao Oscar de Ator Coadjuvante) vai em busca da família, tentando localizar a antiga casa na Índia, a partir de suas memórias da infância, com ajuda da ferramenta Google Maps. Emotiva e valorizada por boas atuações, Lion é uma bonita história que merece ser conhecida. Se peca em algumas passagens, é por tentar uma dose extra de comoção em situações já naturalmente dramáticas.
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