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Exposição resgata o misterioso universo do artista Porfírio Faustino
Ceramista nascido em Canhotinho atuou em Pernambuco nas décadas de 1930 e 1940

Atuante entre as décadas de 1930 e 1940, o artista pernambucano Porfírio Faustino é um gênio pouco conhecido, que ainda não obteve o merecido reconhecimento. Com a exposição Porvir Faustino, o Museu do Homem do Nordeste revela ao público a obra do escultor, que utilizava um tipo de barro branco para retratar personagens do cotidiano, animais e criaturas fantásticas.
Confira o roteiro de exposições em cartaz no Divirta-se
As peças presentes na mostra estavam guardadas no acervo da instituição e são mostradas pela primeira vez em conjunto, o que possibilita a elaboração de interpretações sobre o estilo, a técnica e as temáticas trabalhadas pelo ceramista, que nasceu na cidade de Canhotinho, no agreste de Pernambuco. Nas pequenas estátuas, que possuem detalhes coloridos, é possível pereceber um interesse pela imaginação e pela fantasia. Algumas figuras parecem assombrações, por exemplo, mas também podem ser entendidas como representações de foliões fantasiados no carnaval.
A exposição está em cartaz de terça a domingo, das 9h às 17h, com entrada grátis. O Museu do Homem do Nordeste fica na Avenida 17 de Agosto, 2187, em Casa Forte. Informações: 3073-6340. A abertura da exposição ocorre nesta sexta-feira, às 18h.
Leia texto de apresentação da exposição elaborado pela equipe de pesquisadores do Museu do Homem do Nordeste:
Questionar as noções de arte e de cultura popular e seus tensionamentos com o contemporâneo é um dos desafios assumidos pelo muHNE. Para tanto é indispensável lançar um olhar atencioso sobre essas criações, ditas populares, e formar um repertório de dados sobre seus artistas. Expor para desvelar. É com essa reflexão que a exposição Porvir Faustino... surge, trazendo ao seu público Porfírio Faustino, um artista extremamente intrigante, autor de uma obra ímpar e ainda pouco explorada.
Porfírio Faustino nasceu na cidade de Canhotinho, agreste de Pernambuco. É considerado um dos primeiros ceramistas figurativos do país, com trabalhos datados entre as décadas de 1930 e 1940, destacando-se, também, por ter modelado em barro branco. A literatura oficial diz que a cerâmica de Porfírio representa figuras do carnaval do interior e folguedos, como a ciranda.
Faustino modelou particularidades. Nas vestes de seus personagens não poupou detalhes. As mulheres possuem vestidos coloridos, de abotoamentos e estampas variadas, feitos à linha cirúrgica, o que dá a elas, movimento e personalidade. E suas criaturas de aspecto antropozoomórfico? Seriam figuras mascaradas ou representações monstruosas? Vemos um homem com máscara de elefante ou um homem-elefante?
Além disso, Porvir Faustino... resulta de um trabalho de toda a equipe do Museu do Homem do Nordeste, com o objetivo de olhar para si mesmo e para o seu acervo. A exposição ocupa a Sala Mauro Mota, espaço que leva o nome do intelectual e poeta que presidiu esta Casa, deixando como legado a preservação e divulgação do patrimônio e a intermitência das linguagens artísticas, sem jamais hierarquizá-las.
Mais que propor um fio conceitual para o trabalho de Porfírio Faustino, a equipe do muHNE convida o visitante a desenvolver suas próprias leituras e narrativas a partir das observações e sensações aqui apreendidas. É necessário tirar a arte popular do lugar comum a ela reservado. Há um Faustino porvir.
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