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'O que ela faz é muito cruel', diz Chandelly Braz, sobre personagem de Haja Coração
A atriz, que cresceu em Pernambuco, vive a primeira vilã da carreira

Concilar teatro e televisão resume o dia a dia da atriz Chandelly Braz, nascida em Minas Gerais, mas que se classifica como pernambucana por morar no estado desde o nascimento. Mesmo com a rotina pesada de gravações de uma novela, a Carmela de Haja coração não se distancia dos palcos, local onde encontra a realização pessoal e artística. "É maluco, mas vale a pena. A gente se realiza como artista, coloca assuntos importantes nos palcos. Não posso abrir mão desse trabalho", explicou, em entrevista ao Viver.
Haja coração é a quarta novela da carreira, mas a primeira em que interpreta uma vilã. Após viver a mocinha Manuela de Geração Brasil, ela encara uma personagem sem escrúpulos, mas celebra o momento da carreira. "Os mocinhos acabam sendo personagens meio inabaláveis", compara. Ela interpreta a personagem vivida por Angelina Muniz em Sassaricando, em 1987.
A maratona de trabalho consta na peça Uma praça entre dois prédios, próximo de um chaveiro, grafites na parede e uma árvore, em cartaz no Rio de janeiro. A relação com o cinema, no entanto, ainda é discreta. Em agosto, Sobre nós, o segundo curta-metragem da carreira da atriz, estará na programação do Festival de Cinema de Triunfo.
ESTREIA
"Cheias de charme (2012) foi minha novela de estreia. Trouxe para as novelas isso de misturar nova mídias, televisão e internet. A trama colocou a empregada doméstica como protagonista. É uma novela que eu amo. Foi onde encontrei grandes amigos. Acho que será maravilhoso a reprise no Vale a pena ver de novo, já que caiu no gosto do público infantil também. Não tenho informações sobre o filme (feito a partir) da novela, porque minha personagem não está na produção."
Como está sendo encarar a primeira vilã da carreira?
É a primeira vez que estou fazendo uma vilã. A gente trabalhou muito. O corpo do personagem, individualmente, explorando a relação de cada personagem. Fizemos a preparação do elenco por três meses. Estou trabalhando tanto que estou por fora do que está rolando nas redes sociais. Mas, nas ruas, as pessoas falam bem. Acham divertido, mas acham ela ruim. O que ela faz é muito cruel. Ela humilha uma irmã que tem problema físico.
Já há algum tempo o público tem preferido personagens vilãs. O que acha dessa inversão?
O vilão acaba caindo no gosto do público quando o personagem é bem escrito, quando o autor escreve para ele ser complexo. Ninguém é uma coisa só. Carminha era bem escrita, complexa, fazia as maldades, mas eram justificadas. Quando, na dramaturgia, vem um escopo que ajuda a compor o personagem, que traz fragilidade e humor, acaba atraindo. Com essa coisa das séries, o público está entrando em contato com esse tipo de personagem. E isso amplia a visão do público. House of cards e Breaking bad têm personagens vilões, mas o público se identifica. Isso influencia a dramaturgia brasileira. Os vilões deixaram de ser maniqueístas. Tem uma coisa mais humana. Não é mais a bruxa da Branca de Neve.
É o segundo folhetim inspirado em uma novela antiga. Interpretar dessa forma é um desafio diferente?
É diferente porque sabe que alguém já construiu aquilo. Eu assisti às novelas originais para entender as diferenças de linguagens. Em Saramandaia, minha personagem tinha sido feita por Sônia Braga. Era uma responsabilidade enorme. Sempre é uma honra ganhar personagem que já pertenceu a uma outra atriz, mas o processo de criação é o mesmo.
Há algum plano concreto de se envolver com o cinema pernambucano?
Me interessa e muito. Mas não rolou ainda. O cinema do Recife é o que mais tenho vontade de fazer. É engajado, fala de questões humanas que sempre me arrebatam. Vai ser uma realização como artista.
O que achou da repercussão de Aquarius no Festival de Cannes?
Achei incrível. Eles colocaram muito bem. A gente está vivendo um momento político de fragilidade na democracia. Foi importantíssimo mostrar que o cinema e uma parcela dos artistas não compactuaram com o impeachment, que foi um golpe. Isso tem tudo a ver com o cinema de Kleber Mendonça Filho. É comprometido com questões sociais e políticas. Bato palmas para o que eles fizeram.
Haja coração é a quarta novela da carreira, mas a primeira em que interpreta uma vilã. Após viver a mocinha Manuela de Geração Brasil, ela encara uma personagem sem escrúpulos, mas celebra o momento da carreira. "Os mocinhos acabam sendo personagens meio inabaláveis", compara. Ela interpreta a personagem vivida por Angelina Muniz em Sassaricando, em 1987.
A maratona de trabalho consta na peça Uma praça entre dois prédios, próximo de um chaveiro, grafites na parede e uma árvore, em cartaz no Rio de janeiro. A relação com o cinema, no entanto, ainda é discreta. Em agosto, Sobre nós, o segundo curta-metragem da carreira da atriz, estará na programação do Festival de Cinema de Triunfo.
ESTREIA
"Cheias de charme (2012) foi minha novela de estreia. Trouxe para as novelas isso de misturar nova mídias, televisão e internet. A trama colocou a empregada doméstica como protagonista. É uma novela que eu amo. Foi onde encontrei grandes amigos. Acho que será maravilhoso a reprise no Vale a pena ver de novo, já que caiu no gosto do público infantil também. Não tenho informações sobre o filme (feito a partir) da novela, porque minha personagem não está na produção."
Como está sendo encarar a primeira vilã da carreira?
É a primeira vez que estou fazendo uma vilã. A gente trabalhou muito. O corpo do personagem, individualmente, explorando a relação de cada personagem. Fizemos a preparação do elenco por três meses. Estou trabalhando tanto que estou por fora do que está rolando nas redes sociais. Mas, nas ruas, as pessoas falam bem. Acham divertido, mas acham ela ruim. O que ela faz é muito cruel. Ela humilha uma irmã que tem problema físico.
Já há algum tempo o público tem preferido personagens vilãs. O que acha dessa inversão?
O vilão acaba caindo no gosto do público quando o personagem é bem escrito, quando o autor escreve para ele ser complexo. Ninguém é uma coisa só. Carminha era bem escrita, complexa, fazia as maldades, mas eram justificadas. Quando, na dramaturgia, vem um escopo que ajuda a compor o personagem, que traz fragilidade e humor, acaba atraindo. Com essa coisa das séries, o público está entrando em contato com esse tipo de personagem. E isso amplia a visão do público. House of cards e Breaking bad têm personagens vilões, mas o público se identifica. Isso influencia a dramaturgia brasileira. Os vilões deixaram de ser maniqueístas. Tem uma coisa mais humana. Não é mais a bruxa da Branca de Neve.
É o segundo folhetim inspirado em uma novela antiga. Interpretar dessa forma é um desafio diferente?
É diferente porque sabe que alguém já construiu aquilo. Eu assisti às novelas originais para entender as diferenças de linguagens. Em Saramandaia, minha personagem tinha sido feita por Sônia Braga. Era uma responsabilidade enorme. Sempre é uma honra ganhar personagem que já pertenceu a uma outra atriz, mas o processo de criação é o mesmo.
Há algum plano concreto de se envolver com o cinema pernambucano?
Me interessa e muito. Mas não rolou ainda. O cinema do Recife é o que mais tenho vontade de fazer. É engajado, fala de questões humanas que sempre me arrebatam. Vai ser uma realização como artista.
O que achou da repercussão de Aquarius no Festival de Cannes?
Achei incrível. Eles colocaram muito bem. A gente está vivendo um momento político de fragilidade na democracia. Foi importantíssimo mostrar que o cinema e uma parcela dos artistas não compactuaram com o impeachment, que foi um golpe. Isso tem tudo a ver com o cinema de Kleber Mendonça Filho. É comprometido com questões sociais e políticas. Bato palmas para o que eles fizeram.