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Dia de Reis com encontro de cavalo marinho em Pernambuco

Tradição recebeu, em dezembro, o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, concedido pelo Iphan

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Pedro Salu aprendeu a arte com o pai e já passa para João Pedro, de apenas 3 anos. Crédito: Bernardo Dantas/ DP/D.A Press


Encerrando os festejos do ciclo natalino, os folguedos populares como o cavalo marinho, pastoril e reisado, homenageiam os Três Reis Magos, e unem religiosidade a manifestações culturais, com programações espalhadas pela cidade. Motivada pela tradição, a família Salustiano realizará a 20ª edição do encontro de cavalo marinho, hoje, a partir das 18h, com oito grupos, na Festa de Reis da Casa da Rabeca, em Olinda. Haverá ainda a Queima da Lapinha, às 18h, no Pátio de São Pedro e no Sítio Trindade. Na Praça do Carmo, em Olinda apresentações de pastoril e reisado.

[SAIBAMAIS] O encontro de cavalo marinho foi criado pelo mestre Salú, em 1995. Neste ano, a abertura será marcada por um espetáculo dos descendentes do mestre pernambucano, com muito balanço de ciranda e trupé do coco. A entrada é gratuita e a expectativa é reunir 5 mil pessoas, entre brincantes e espectadores.

O cavalo marinho recebeu, em dezembro, o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ao lado dos maracatus de baque solto e baque virado. "Junto com o posto tem que haver o reconhecimento. Mas nós da cultura popular só temos a agradecer a valorização e o apoio do governo", observa Pedro Salú, 35 anos, um dos 15 herdeiros do mestre Salustiano. A ciranda e o reisado ainda aguardam o aval do Iphan.

O levantamento feito a partir do inventário realizado pela Fundarpe mostrou que há 14 grupos em atividade no estado, com diferentes estilos de brincar do cavalo marinho. "Muda o toque, as toadas e a sequência dos personagens. Cada um tem seu folgazão e folgazan (líder)", explica Pedro. Entre as mudanças observadas, a figura da mulher ganhou destaque no folguedo. Antigamente, elas ficavam às margens da brincadeira, apenas tocavam instrumentos ou no canto. Hoje, conquistaram seu espaço, chegando a dar vida aos personagens importantes.

Uma apresentação completa pode ter duração de oito horas seguidas, com mais de 70 personagens em cena. Por causa do tempo, muitas delas precisam ser cortadas. A ideia do produtor é realizar um encontro que vire a madrugada. "Nosso projeto, daqui a dois anos, é amanhecer o dia e registrar em um documentário", adianta. Dos 15 filhos de Mestre Salustiano, 12 estão envolvidos na produção, confecção de figurinos, bordas e rabecas. "Fico até emocionado por ter aprendido tudo com meu pai e poder repassar ao meu filho João, de 3 anos. É como um cordão de ouro, que vai passando por gerações. A semente está plantada", garante.

Programação

Queima da Lapinha - Polo Sítio da Trindade
17h - Pastoris Estrela Guia do Cabo, Estrela Dalva de Santo Amaro, Infantil do Ibura, Angel de Brasília Teimosa, Sol Nascente, Campinas Alegres, Tia Nininha, Estrela Guia do Recife, Aurora Boreal e Reisado Imperial

Queima da Lapinha - Polo Pátio de São Pedro
19h - Pastoril Estrela Brilhante, Lindas Ciganas, Jardim da Alegria, Estrela do mar, Luz do Amanhecer, Tia Marisa, Aurora da Redenção, Giselly Andrade, Idosos Estrela Dalva

Queima da Lapinha e Reisado, na Praça do Carmo, Olinda
19h - Pastoril Estrela de Belém e grupo folclórico Damas e Cavaleiros de Nossa Sra das Neves.

Oficina

Estão abertas as inscrições gratuitas para a oficina Cavalo marinho e o corpo na cena, com a bailarina Tainá Barreto, que será realizada de 16 a 18 de janeiro, das 15 às 18h, no Paço do Frevo (Praça do Arsenal), dentro da programação do 21º Janeiro de Grandes Espetáculos. Inscrições: contato@grupopeleja.com.br. Informações: 3355-9500.