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Rodoviários param por três horas alegando descumprimento de acordo

Após dez dias do fim da greve de ônibus, rodoviários voltam a realizar protestos paralisando das 10h às 13h a Avenida Guararapes e a Ponte Duarte Coelho, no Centro do Recife. Durante as três horas de paralisação, os ônibus ficaram estacionados nas faixas da direita, com os motores desligados. Às reivindicações da categoria é de que os valores descontados pelo dia da paralisação, que ocorreu do dia 26 a 31 de julho, sejam devolvidos aos trabalhadores, pois o acordo era de que quatro dias seriam abonados e outros dois dias da greve seriam compensados com horas suplementares e horas extras no decorrer de agosto.
Segundo o sindicato, os motoristas tiveram valores descontados de forma indevida, antes de poderem compensar. Os rodoviários pedem através do protesto que sejam ressarcidos, pois o prazo diante ao acordo seria até o fim deste mês. "Nós já levamos provas, evidências e contra-cheques de trabalhadores, sobre o descumprimento do acordo. As formas que descontaram e as contestações às horas da maneira que fizeram, está errado. Se a Urbana-PE quiser se justificar, que seja no tribunal. Vamos aguardar o Tribunal Regional tomar as providências devidas a este descumprimento", explicou Aldo Lima, presidente do Sindicato dos Rodoviários.
Os rodoviários cobram das autoridades estaduais atitude diante ao ocorrido, e que as empresas cumpram o acordo realizado no dia 31 de julho, entre motoristas e a Urbana-PE (representando os empresários) mediado pela Justiça do Trabalho, no Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6).
Os motoristas se queixam do desconto dos dois dias da paralisação realizada em julho e que o salário ainda não sofreu reajuste. "Os motoristas precisam de aumento, e ainda sofre esse corte. Todo mundo aqui precisa de dinheiro, pagar as contas, fazer a feira. Este valor atual não compensa, porque nosso trabalho é pesado e ainda não recebemos aumento, porém já recebemos o desconto indevido. Só queremos trabalhar e ter nosso dinheiro como foi acordado em julho", disse Cléber Xavier, 45 anos, motorista.
Mesmo com passageiros tendo que descer e continuar a pé ou esperar por horas para concluir o trajeto, muitos deles demonstraram apoio, como Edilene Monteiro, 69 anos, aposentada. "Uma classe que faz dupla jornada e dirige ônibus ruins, são trabalhadores cheios de estresse, eles merecem ter um salário digno, porque o motorista de ônibus leva a carga mais importante que são vidas".
Segunda Greve
Segundo o sindicato dos rodoviários, pode haver uma nova greve, caso confirme o descumprimento do acordo e falta de resposta da Urbana-PE. “Existe uma possibilidade de greve. Claro que para isso a gente vai precisar chamar a categoria em assembleia para que haja uma aprovação de uma nova greve, caso haja o descumprimento das empresas em relação ao acordo firmado. Espero que não chegue a isso, mas se elas não revelarem os erros que cometeram, não vai ter outra alternativa a não ser aprovar em assembleia uma nova greve”, disse Aldo Lima.
Nota de resposta da Urbana-PE
"A Urbana-PE informa que as suas associadas estão cumprindo estritamente o que foi estabelecido no acordo coletivo com a categoria dos rodoviários. Não apenas as empresas de ônibus agiram corretamente na compensação das horas não trabalhadas durante a greve da campanha salarial, como se disponibilizaram a apresentar as apurações e prestar os esclarecimentos necessários ao Sindicato dos Rodoviários sobre o procedimento adotado. Entretanto, até o presente o momento, as empresas não obtiveram qualquer resposta das lideranças rodoviárias.
Ao contrário do Sindicato dos Rodoviários, a Urbana-PE tem buscado o diálogo e seguido rigorosamente todos os termos do acordo firmado e das decisões judiciais sobre a matéria. Infelizmente, o Sindicato dos Rodoviários persiste em promover a desinformação, criando narrativas enganosas na tentativa de justificar os inaceitáveis transtornos que vem causando à população e à economia local".