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Desafios da população trans em Pernambuco

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A luta por direitos e respeito das pessoas travestis e transexuais vai além do dia 29 de janeiro quando é celebrado o Dia Visibilidade Trans: estende-se por todo ano. Entre os principais desafios estão o combate à violência, o ingresso no mercado trabalho e a expansão da rede de saúde para esse público, assim como o aumento de instituições e órgãos dedicados à cidadania da população trans no país.

Para a coordenadora de Programas Sociais Rayanne Romanelly, da ONG AmoTrans-PE, instituição dedicada à inclusão social, qualificação profissional e atendimento psicológico para a população LGBTQIA%2b, a falta de oportunidades profissionais é significativa em Pernambuco. “Infelizmente, o mercado de trabalho não abre as portas para pessoas trans. Há preconceito em relação a quem somos e como queremos nos apresentar à sociedade. Então, acredito que a questão da empregabilidade é um desafio grande. Nós da AmoTrans-PE temos como pauta a qualificação dessas pessoas, para que o mercado profissional não tenha desculpas para inseri-las”, afirmou.

Outro ponto ressaltado é a saúde para a população trans, mesmo com os ambulatórios já criados. “Quando precisamos de atendimento de emergência, ainda passamos por preconceito em relação ao nome social e a questão do uso pronome correto, quando forem se referir a nós. Eu gostaria de falar que tivermos avanços no combate à violência contra as pessoas trans, mas, infelizmente, não podemos dizer isso”, comentou.

“A gente tem uma perspectiva de melhora com a mudança de gestão estadual, porém ainda não houve um diálogo com o governo. Sentimos que o trabalhar do
governo atual em prol da população LGBT ainda está muito lento. Estamos aguardando e indo atrás de respostas”, afirmou a coordenadora da AmoTrans-PE.

A participação de pessoas trans na política e o incentivo para criação de políticas públicas direcionadas à população seguem firme, porém a divulgação para representação nesses espaços precisa ser maior.

“Existe espaço, mas, às vezes, ele é pouco divulgado. Eu percebo que têm pessoas específicas que são convidadas a nos representar nesses espaços políticos. Poderíamos ampliar isso e trazer o maior número de instituições e ONGs. Fazer uma seleção s para discutir esse assunto. Para isso, é preciso um maior número possível de pessoas”, disse. 

Como conquistas alcançadas por pessoas transexuais e travestis estão a inclusão do nome social e a retificação de nome e de gênero nos documentos de identificação, lembrou a ativista. A conscientização, segundo ela, precisa ser permanente. “É aquilo que a gente sempre discute dentro da instituição, no mês de janeiro fazemos a semana em alusão as questões das pessoas travestis e transexuais, mas acho que a gente deveria ter visibilidade o ano todo. Para que não houvesse tantas mortes, para que o país e o estado não estivessem entre os que mais matam as pessoas travestis e transexuais. Nós somos seres humanos e só estamos querendo trabalhar e ter o respeito das pessoas.”

Se você participa de uma Organização Não Governamental (ONG) ou conhece projeto social e deseja que a história dessa ação seja contada no DP Social, sugira através de nosso email: social@diariodepernambuco.com.br.